HMTJ - Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (MG) — Prova 2015
Lactente, feminina, 11 meses e 20 dias, com febre (temp. axilar = 39,3º C) há 3 dias,. A mãe refere que a filha esteve internada em outro serviço há 4 meses, quando foi diagnosticada infecção urinária. Foi tratada com cefazolina por 5 dias. Exame físico: temp. axilar = 38,5º C, estado geral regular, irritada, restante do exame físico sem alterações. Foram solicitados exames laboratoriais que evidenciaram: - hemograma com leucocitose e desvio à esquerda; - urina I com nitrito negativo, leucocitúria e bactérias abundantes; - urocultura (por saco coletor) E. coli 250.000 unidades formadoras de colônias (UFC). Diante do quadro atual, qual a melhor conduta?
Urocultura por saco coletor com nitrito negativo e febre em lactente → alta chance de contaminação, repetir coleta por método confiável.
Em lactentes, a urocultura por saco coletor é frequentemente contaminada, especialmente se o nitrito for negativo. Diante de um resultado positivo por este método, mas com nitrito negativo, a conduta mais segura é repetir a urocultura por um método mais confiável, como cateterismo vesical ou punção suprapúbica, antes de iniciar o tratamento antibiótico, para evitar tratamento desnecessário e resistência.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, especialmente em lactentes, e seu diagnóstico precoce é fundamental para prevenir lesão renal permanente. A apresentação clínica em lactentes é inespecífica, frequentemente manifestando-se apenas como febre sem foco aparente, irritabilidade ou recusa alimentar. A suspeita de ITU exige uma investigação cuidadosa, sendo a urocultura o padrão-ouro para o diagnóstico. O grande desafio no diagnóstico da ITU em lactentes reside na coleta da amostra de urina. Métodos não invasivos, como o saco coletor, possuem uma alta taxa de contaminação, o que pode levar a falsos positivos e tratamentos antibióticos desnecessários. A presença de nitrito negativo na urina I, mesmo com leucocitúria e bactérias abundantes, em uma amostra de saco coletor, aumenta a suspeita de contaminação, pois o nitrito é um indicador mais específico de infecção bacteriana por enterobactérias. Por outro lado, o cateterismo vesical e a punção suprapúbica são métodos mais confiáveis, embora mais invasivos. Diante de uma urocultura positiva por saco coletor em um lactente febril com nitrito negativo, a conduta mais apropriada é repetir a coleta da urina por um método mais fidedigno (cateterismo vesical ou punção suprapúbica) antes de iniciar a antibioticoterapia. Isso evita a exposição desnecessária a antibióticos, o risco de resistência bacteriana e os efeitos adversos dos medicamentos, garantindo que apenas infecções reais sejam tratadas. A investigação radiológica, como ultrassonografia renal e uretrocistografia miccional, é reservada para após a confirmação da ITU e tratamento, para identificar anomalias anatômicas subjacentes.
O método de coleta é crucial devido à alta taxa de contaminação em amostras obtidas por saco coletor ou jato médio em lactentes que não controlam a micção. Métodos invasivos como cateterismo vesical ou punção suprapúbica são mais confiáveis para confirmar uma ITU verdadeira.
Uma urocultura positiva por saco coletor, especialmente com nitrito negativo (que indica ausência de bactérias redutoras de nitrato), tem alta probabilidade de ser contaminação. Nesses casos, a conduta recomendada é repetir a urocultura por um método mais confiável (cateterismo ou punção) antes de iniciar o tratamento antibiótico.
Para cateterismo vesical, >50.000 UFC/mL de um único patógeno é considerado positivo. Para punção suprapúbica, qualquer crescimento bacteriano é significativo. Para saco coletor, >100.000 UFC/mL é sugestivo, mas deve ser confirmado por método mais confiável, especialmente se houver dúvidas clínicas ou nitrito negativo.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo