FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2024
Lactente, sexo feminino, 5 meses de idade, é levada ao serviço de emergência devido a quadro de febre de até 39,5 °C há 2 dias. Não apresenta sintomas respiratórios, familiares não notaram alterações intestinais ou urinárias. Em aleitamento materno exclusivo, com boa aceitação das mamadas. Nega comorbidades. Vacinação em dia conforme Calendário Nacional de Vacinação. Exame clínico sem nenhuma alteração significativa. Optado pela coleta de urina tipo 1 e urocultura por sondagem vesical, com os seguintes achados: densidade: 1010, pH 7,0, nitrito negativo, esterase leucocitária 2+, 10000 hemácias, mais de 1000000 de leucócitos. A hipótese diagnóstica mais provável e a conduta mais adequada, respectivamente, são
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, especialmente em lactentes, e pode levar a complicações sérias como cicatrizes renais e hipertensão arterial se não for diagnosticada e tratada adequadamente. Em lactentes febris sem foco aparente, a ITU deve ser sempre considerada, e a coleta de urina por sondagem vesical é o padrão-ouro para o diagnóstico. A presença de febre, piúria significativa (esterase leucocitária positiva e alta contagem de leucócitos) e a idade do paciente (5 meses) aumentam a probabilidade de pielonefrite, que é a infecção do parênquima renal. Embora a internação e o uso de antibióticos intravenosos sejam frequentemente indicados para lactentes jovens ou com sinais de toxicidade, em pacientes maiores de 3 meses que estão clinicamente bem e toleram a via oral, o tratamento ambulatorial com antibióticos orais (como a axetilcefuroxima) pode ser uma opção, desde que haja acompanhamento rigoroso e reavaliação precoce. É crucial aguardar o resultado da urocultura para confirmar o diagnóstico e ajustar o antibiótico, se necessário. Além disso, a investigação de anomalias do trato urinário com ultrassonografia de rins e vias urinárias é recomendada após o primeiro episódio de ITU febril para identificar fatores predisponentes e prevenir recorrências. O manejo adequado da ITU em lactentes é um tema fundamental para a prática pediátrica e para as provas de residência.
O diagnóstico de ITU em lactentes requer a presença de sintomas sugestivos (febre sem foco, irritabilidade) e uma urocultura positiva, preferencialmente coletada por sondagem vesical ou punção suprapúbica, com contagem significativa de colônias.
O tratamento oral pode ser considerado em lactentes maiores de 3 meses, clinicamente bem, sem sinais de toxicidade, com boa aceitação de líquidos e garantia de acompanhamento rigoroso, após a coleta da urocultura.
A ultrassonografia é importante para identificar anomalias anatômicas ou funcionais do trato urinário que possam predispor a ITUs de repetição ou pielonefrite, devendo ser realizada após o primeiro episódio de ITU febril.
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