HEETSHL - Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena (PB) — Prova 2020
Lactente de 7 meses apresentando febre alta e perda de apetite há 3 dias. O sumário de urina, colhido por sonda, demonstra nitrito negativo, mais de 100 leucócitos por campo, além de hematúria, com 25 hemácias por campo, bacterioscopia com bacilos gram negativos. Considere a MELHOR alternativa abaixo:
ITU em lactente: febre + sumário urina alterado. Nitrito negativo não afasta. Cefalosporina 2ª/3ª geração é boa opção.
Em lactentes com suspeita de ITU, a febre e a alteração do sumário de urina são cruciais. A ausência de nitritos não exclui o diagnóstico, pois a urina pode não ter tempo suficiente na bexiga para a conversão. Cefalosporinas de segunda ou terceira geração são escolhas adequadas para o tratamento empírico, cobrindo os principais patógenos Gram-negativos.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) em lactentes é uma condição comum e importante, pois pode levar a cicatrizes renais e hipertensão arterial se não for diagnosticada e tratada precocemente. A apresentação clínica em lactentes é inespecífica, manifestando-se frequentemente com febre, irritabilidade, recusa alimentar e vômitos, o que torna o diagnóstico desafiador. A suspeita de ITU deve ser alta em qualquer lactente febril sem foco aparente. O diagnóstico definitivo de ITU requer uma urocultura positiva obtida por método de coleta adequado. Em lactentes, a sondagem vesical transuretral ou a punção suprapúbica são os métodos preferenciais para evitar contaminação, ao contrário do saco coletor, que possui alta taxa de falsos positivos. O sumário de urina pode fornecer pistas importantes, como leucocitúria (>10 leucócitos/campo) e presença de bacilos Gram-negativos. É crucial lembrar que o nitrito negativo não exclui ITU em lactentes devido à micção frequente. O tratamento empírico da ITU em lactentes deve ser iniciado prontamente após a coleta da urocultura, visando cobrir os principais patógenos, como E. coli. Cefalosporinas de segunda ou terceira geração são escolhas comuns e eficazes. Após o tratamento, a investigação de anomalias do trato urinário, como refluxo vesicoureteral, é fundamental, geralmente com ultrassonografia renal e vesical e, se indicado, uretrocistografia miccional, para prevenir recorrências e complicações a longo prazo.
A coleta de urina em lactentes deve ser feita preferencialmente por sondagem vesical ou punção suprapúbica para minimizar a contaminação. O saco coletor não é recomendado para diagnóstico de ITU devido à alta taxa de falsos positivos.
O nitrito negativo não afasta ITU em lactentes porque as bactérias precisam de tempo na bexiga para converter nitrato em nitrito. Em bebês, a micção é mais frequente, e a urina pode não permanecer tempo suficiente para essa reação, resultando em um falso negativo.
As cefalosporinas de segunda ou terceira geração (como cefuroxima ou ceftriaxona) são boas opções para o tratamento empírico de ITU em lactentes, devido à sua eficácia contra bacilos Gram-negativos, que são os principais agentes etiológicos.
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