ITU em Lactentes: Diagnóstico e Tratamento Essencial

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023

Enunciado

Lactente do sexo feminino, três meses de vida, em uso de aleitamento misto (leite materno e fórmula de partida com diluição adequada) é levada à UPA por estar apresentando quadro de febre há 48 horas, associado à recusa alimentar. A mãe nega queixas respiratórias, gastrointestinais, cutâneas ou administração de vacinas nas últimas 72 h. Ao exame físico, encontra-se febril (temperatura axilar= 38,5°C) com bom estado geral, eupneica, acianótica, anictérica, ativa e reativa, com fontanela anterior plana e normotensa, sem linfonodomegalias palpáveis, sem alterações à ausculta cardiopulmonar, abdome flácido, indolor, com borda de fígado palpável a 1 cm do rebordo costal direito e membros superiores e inferiores sem edemas, boa perfusão periférica e pulsos amplamente palpáveis. Os exames laboratoriais mostram hemograma com leucocitose e neutrofilia, PCR= 60 mg/L, sumário de urina com sedimentoscopia (EAS) com 3 cruzes (+++) de leucoesterase, nitrito negativo, 50 leucócitos/campo, 2 hemácias/campo. O raio X de tórax solicitado não apresenta alterações aparentes. Diante desse quadro, a conduta mais adequada é

Alternativas

  1. A) realizar punção lombar para coleta de líquor, coletar urocultura por saco coletor e aguardar resultados desses exames para a decisão terapêutica.
  2. B) liberar a paciente com antitérmico oral e solicitar que a paciente retorne em 24 horas para reavaliação clínica e laboratorial.
  3. C) prescrever antibiótico empiricamente, sem solicitação de novos exames, e reavaliar a paciente após término do tratamento com sete dias.
  4. D) coletar urocultura por sonda vesical e, após esse procedimento, iniciar antibioticoterapia empírica mesmo antes da liberação desse resultado.

Pérola Clínica

Lactente febril com EAS alterado → urocultura por sonda vesical + ATB empírico imediato.

Resumo-Chave

Em lactentes jovens com febre e suspeita de ITU, a coleta de urocultura por sonda vesical é o método padrão-ouro para evitar contaminação. A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada prontamente devido ao alto risco de pielonefrite e sepse, mesmo antes do resultado da cultura, para prevenir complicações renais.

Contexto Educacional

A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns em lactentes, sendo uma causa importante de febre sem foco. Sua prevalência é maior em meninas e em meninos não circuncidados. O diagnóstico e tratamento precoces são cruciais para prevenir danos renais permanentes, como cicatrizes e insuficiência renal, especialmente em crianças menores de um ano. A suspeita de ITU deve ser alta em qualquer lactente febril sem outra causa aparente. A fisiopatologia da ITU em lactentes geralmente envolve a ascensão de bactérias da região perineal para o trato urinário. O diagnóstico é confirmado pela urocultura, sendo a coleta por sonda vesical ou punção suprapúbica os métodos mais confiáveis. O sumário de urina (EAS) com leucoesterase positiva, nitrito positivo (menos sensível em lactentes) e leucocitúria são indicativos, mas não definitivos. A presença de leucocitose e PCR elevado no hemograma reforça a suspeita de infecção bacteriana sistêmica. O tratamento da ITU em lactentes consiste na antibioticoterapia empírica, iniciada após a coleta da urocultura, cobrindo os patógenos mais comuns (principalmente E. coli). A escolha do antibiótico deve considerar o perfil de sensibilidade local e a gravidade do quadro. O acompanhamento clínico e laboratorial é fundamental, e a reavaliação após o início do tratamento é necessária para ajustar a terapia conforme o resultado da urocultura e a evolução do paciente. A investigação de anomalias do trato urinário, como refluxo vesicoureteral, pode ser indicada após o primeiro episódio de ITU febril.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de ITU em lactentes?

Em lactentes, os sinais de ITU podem ser inespecíficos, incluindo febre sem foco aparente, irritabilidade, recusa alimentar, vômitos e icterícia. A ausência de sintomas urinários claros é comum nesta faixa etária.

Por que a urocultura por sonda vesical é preferível em lactentes?

A urocultura por sonda vesical é o método de escolha em lactentes para minimizar a contaminação, que é muito comum com o saco coletor. Isso garante um resultado mais fidedigno para o diagnóstico de ITU.

Quando iniciar antibioticoterapia empírica em lactentes com suspeita de ITU?

A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente após a coleta da urocultura em lactentes com suspeita de ITU, especialmente se houver febre e exames de urina alterados, devido ao risco de progressão para pielonefrite e sepse.

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