ITU em Lactentes: Diagnóstico e Tratamento Inicial

UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2022

Enunciado

Uma lactente de 6 meses, previamente hígida, iniciou atividades escolares em período integral há 30 dias.Iniciou quadro febril há 2 dias, chegando à temperatura de 40ºC; família notou diminuição do volume da urina e sempre chorosa durante a micção. Realizada coleta de urina tipo I e urocultura por saco coletor. Urina I: pH 7; densidade urinária 1025; estearase positiva; nitrito positivo; leucócitos 250.000/mL; hemácias 1.000/mL; flora bacteriana 2+. Em relação a essa situação clínica, marque as condutas adequadas.

Alternativas

  1. A) Coletar segunda urocultura com sonda vesical e iniciar tratamento com antibioticoterapia via oral e acompanhamento ambulatorial.
  2. B) Coletar segunda urocultura com sonda vesical e iniciar tratamento com antibioticoterapia intravenosa.
  3. C) Aguardar resultado da urocultura e iniciar tratamento com antibioticoterapia intravenosa.
  4. D) Aguardar resultado da urocultura para definição da necessidade de uso de antibioticoterapia e orientar hidratação via oral, com uso de sintomáticos para controle da febre.

Pérola Clínica

Lactente com febre e Urina I alterada → ITU febril → Urocultura por sonda + ATB oral empírico.

Resumo-Chave

Em lactentes com suspeita de ITU febril, a coleta de urina por saco coletor é frequentemente contaminada. A urocultura por sonda vesical é o padrão-ouro para confirmação diagnóstica, e o tratamento empírico deve ser iniciado prontamente devido ao risco de pielonefrite e lesão renal.

Contexto Educacional

A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, especialmente em lactentes, e pode levar a danos renais permanentes se não for diagnosticada e tratada precocemente. A apresentação clínica em lactentes é inespecífica, com febre sendo o sintoma mais comum, por vezes acompanhada de irritabilidade, recusa alimentar ou choro à micção. A alta prevalência de ITU em crianças febris sem foco aparente torna a investigação urinária crucial. O diagnóstico de ITU em lactentes baseia-se na presença de sintomas clínicos e na confirmação laboratorial. A urina tipo I com nitrito positivo, estearase leucocitária positiva e leucocitúria significativa (como 250.000/mL no caso) sugere fortemente ITU. No entanto, a confirmação definitiva requer uma urocultura com crescimento bacteriano significativo. Em lactentes, a coleta por saco coletor tem alta taxa de contaminação, sendo o cateterismo vesical (sonda) o método preferencial para obter uma amostra confiável. O tratamento da ITU febril em lactentes deve ser iniciado empiricamente após a coleta da urocultura, sem aguardar o resultado, devido ao risco de pielonefrite e cicatrizes renais. A antibioticoterapia oral é uma opção para casos de baixo risco ou após melhora clínica inicial, com acompanhamento ambulatorial rigoroso. A escolha do antibiótico deve considerar o perfil de sensibilidade local e a idade do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais os critérios para suspeitar de ITU em lactentes febris?

Febre sem foco aparente, irritabilidade, disúria (choro ao urinar), diminuição do volume urinário e alterações na urina tipo I (nitrito, estearase, leucocitúria) são sinais que levantam a suspeita de ITU em lactentes.

Qual a melhor forma de coletar urina para urocultura em lactentes?

A coleta por cateterismo vesical (sonda) é o método padrão-ouro devido à menor taxa de contaminação, sendo preferível ao saco coletor em casos de suspeita de ITU em lactentes para obter uma amostra confiável.

Quando iniciar antibioticoterapia empírica para ITU em lactentes?

O tratamento empírico deve ser iniciado imediatamente após a coleta da urocultura em lactentes com suspeita de ITU febril e Urina I alterada, sem aguardar o resultado da cultura, para prevenir complicações como pielonefrite.

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