UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2022
Lactente chega no pronto-socorro, com febre e irritabilidade. A mãe refere que a urina está mais escura e fétida. Com base nos dados apresentados, assinale a alternativa correta em relação às condutas diagnóstica e terapêutica.
Lactente com febre e irritabilidade + urina alterada → Fita urinária positiva para nitrito/estearase leucocitária sugere ITU.
Em lactentes, a infecção do trato urinário (ITU) pode se manifestar com sintomas inespecíficos como febre e irritabilidade. A fita urinária é um método de triagem rápido e útil: a positividade para nitrito (indica bactérias gram-negativas) e/ou estearase leucocitária (indica piúria) tem alta sensibilidade e especificidade para sugerir ITU, orientando a coleta de urocultura e início de tratamento empírico.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, especialmente em lactentes, e pode levar a complicações graves como pielonefrite e cicatrizes renais se não for diagnosticada e tratada precocemente. Em lactentes, os sintomas são frequentemente inespecíficos, como febre sem foco aparente, irritabilidade, recusa alimentar, vômitos e alterações na urina (odor fétido, coloração escura). A alta suspeição clínica é crucial. O diagnóstico de ITU em lactentes baseia-se na combinação de exames de triagem e urocultura. A fita urinária é um método rápido e útil para triagem, com a positividade para nitrito (indicando a presença de bactérias gram-negativas que convertem nitrato em nitrito) e/ou estearase leucocitária (indicando piúria) sendo altamente sugestiva de ITU. No entanto, a confirmação diagnóstica requer uma urocultura com coleta adequada, preferencialmente por cateterismo vesical ou punção suprapúbica, para evitar contaminação. Uma vez coletada a urocultura, o tratamento empírico deve ser iniciado prontamente, sem aguardar o resultado, especialmente em lactentes febris, para prevenir a progressão da infecção e o desenvolvimento de lesões renais. A Escherichia coli é o principal agente etiológico, e as opções de tratamento empírico incluem antibióticos de amplo espectro, como cefalosporinas de terceira geração. A amoxicilina não é a primeira escolha devido à alta prevalência de resistência. Após a obtenção do resultado da urocultura e antibiograma, o tratamento pode ser ajustado conforme a sensibilidade do patógeno.
A coleta de urina para urocultura em lactentes deve ser feita por cateterismo vesical ou punção suprapúbica para minimizar a contaminação, sendo o cateterismo o método preferencial e menos invasivo para confirmação diagnóstica. A coleta por saco coletor é aceitável apenas para exclusão de ITU, devido à alta taxa de falsos positivos.
O tratamento empírico para ITU em lactentes deve ser iniciado imediatamente após a coleta da urocultura, especialmente em casos de febre sem foco aparente e suspeita clínica, ou com fita urinária positiva. Aguardar o resultado da urocultura pode atrasar o tratamento e aumentar o risco de complicações como pielonefrite e cicatrizes renais.
O agente etiológico mais comum de ITU em crianças é a Escherichia coli, responsável por cerca de 80-90% dos casos. O tratamento empírico inicial deve cobrir este patógeno, sendo as cefalosporinas de terceira geração (ex: ceftriaxona, cefotaxima) ou aminoglicosídeos (ex: gentamicina) opções adequadas, dependendo da gravidade e do perfil de resistência local. A amoxicilina não é a droga de escolha devido à alta resistência.
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