INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2020
Uma lactente com 1 ano e 10 meses de idade, previamente hígida, foi atendida no pronto-socorro com quadro de febre e irritabilidade iniciado há 72 horas. Não foram encontradas alterações em exame físico realizado na criança. Procedeu-se, então, à coleta de urina tipo 1 por sondagem vesical e hemograma. A criança foi encaminhada ao ambulatório para verificação dos exames. O hemograma revelou Hb = 11,8 g/dL (valor de referência: 12,6 ± 1,5 g/dL), Ht = 38 % (valor de referência: 37 a 40 %), leucócitos = 18 000 mm³ (valor de referência: 5 000 a 15 000/mm³), plaquetas = 300 000 mm³ (valor de referência: 150 000 a 450 000/mm³), segmentados = 60 %, linfócitos = 37 % e monócitos = 3 %. O exame de urina tipo 1 apresentou densidade = 1 015 (valor de referência: 1 005 a 1 030), pH = 5,7 (valor de referência: 5,5 a 7,5), leucócitos = 180 000/mL (valor de referência: até 10 000/mL), hemácias = 10 000/mL (valor de referência: até 10 000/mL), cilindros piocitários raros, nitrito positivo e a bacterioscopia mostrou a presença de agente Gram negativo. Diante desse quadro clínico, a conduta médica indicada é
Lactente com ITU febril + urina tipo 1 alterada (nitrito+, leucocitúria) → Urocultura + ATB empírico oral.
Em lactentes com suspeita de ITU febril e exame de urina tipo 1 altamente sugestivo (nitrito positivo, leucocitúria significativa, cilindros piocitários), a conduta é coletar urocultura para identificação do agente e antibiograma, e iniciar imediatamente antibioticoterapia empírica oral, se a criança estiver bem clinicamente para tratamento domiciliar.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) em lactentes é uma condição comum e potencialmente grave, que pode levar a cicatrizes renais e hipertensão arterial se não for diagnosticada e tratada precocemente. A apresentação clínica em lactentes é frequentemente inespecífica, manifestando-se com febre, irritabilidade, vômitos e recusa alimentar, o que torna o diagnóstico um desafio. Neste caso, a lactente apresenta febre e irritabilidade, sem outros focos infecciosos evidentes. O exame de urina tipo 1, coletado por sondagem vesical (método preferencial para evitar contaminação em lactentes não treinados para o vaso), revela leucocitúria significativa (180.000/mL), nitrito positivo e presença de Gram negativos, além de cilindros piocitários, que são fortes indicadores de pielonefrite. O hemograma com leucocitose também corrobora o quadro infeccioso. Diante de uma forte suspeita clínica e laboratorial de ITU febril em lactente, a conduta recomendada é coletar uma urocultura para confirmar o diagnóstico e realizar o antibiograma, mas não aguardar o resultado para iniciar o tratamento. A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente. Como a criança está previamente hígida e sem sinais de gravidade (exame físico sem alterações), o tratamento pode ser domiciliar com antibióticos orais, com reavaliação clínica e ajuste da terapia após o resultado da urocultura.
O diagnóstico de ITU em lactentes exige urocultura positiva. No entanto, a suspeita clínica é levantada por febre sem foco aparente e exame de urina tipo 1 com leucocitúria (>10.000/mL), nitrito positivo e/ou bacterioscopia com Gram negativo.
A antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente após a coleta da urocultura em crianças com suspeita de ITU febril, especialmente lactentes, para prevenir complicações como o dano renal. O tratamento pode ser ajustado após o resultado do antibiograma.
O principal agente etiológico da ITU em pediatria é a Escherichia coli, responsável por cerca de 80-90% dos casos. Outros agentes incluem Klebsiella, Proteus, Enterobacter e Pseudomonas.
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