UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2025
Lactente, sexo feminino, 1 ano e 2 meses de idade, apresenta febre, vômitos, recusa alimentar, inapetência e queda do estado geral. Exame de urina colhida por sondagem vesical: pH = 7, densidade = 1010, nitrito = positivo, leucócitos = 365.000/mL, hemácias = 20.000/mL. Considerando o diagnóstico mais provável, qual é o tratamento mais adequado?
Lactente com queda do estado geral + febre + ITU → Internação + Antibiótico Endovenoso.
Lactentes com sinais de comprometimento sistêmico (vômitos, prostração) e suspeita de ITU devem ser tratados com antibioticoterapia parenteral para garantir níveis terapêuticos e prevenir urosepse.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das causas mais comuns de febre sem foco em lactentes. Devido à imaturidade imunológica e à proximidade anatômica, o risco de pielonefrite e cicatriz renal é significativo nesta faixa etária. O diagnóstico baseia-se na análise de urina (leucocitúria, nitrito) e deve ser sempre confirmado por urocultura colhida de forma estéril. No caso clínico, a lactente apresenta sinais de alerta ('queda do estado geral', 'vômitos', 'recusa alimentar'), o que sugere uma infecção sistêmica ou pielonefrite com comprometimento do estado geral. Nestas circunstâncias, as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria e da AAP recomendam o início imediato de antibióticos por via parenteral (endovenosa ou intramuscular). A escolha empírica geralmente recai sobre cefalosporinas de 3ª geração (como Ceftriaxona), sendo posteriormente ajustada conforme o resultado do antibiograma.
As principais indicações para antibioticoterapia endovenosa e internação incluem: idade jovem (geralmente < 2-3 meses), sinais de toxicidade sistêmica (febre alta, prostração, má perfusão), incapacidade de ingestão oral ou vômitos persistentes, desidratação, suspeita de urosepse e falha na resposta ao tratamento oral prévio.
O nitrito positivo tem alta especificidade para ITU, indicando a presença de bactérias que reduzem o nitrato (como E. coli). No entanto, sua sensibilidade é menor em lactentes, pois eles urinam com frequência, muitas vezes não permitindo o tempo de permanência urinária na bexiga (cerca de 4 horas) necessário para a conversão química.
Em lactentes sem controle esfincteriano, o saco coletor apresenta taxas de contaminação extremamente altas (>50%), o que invalida resultados positivos. A sondagem vesical ou a punção suprapúbica são os métodos padrão-ouro para coleta de urina estéril, garantindo que o crescimento bacteriano na urocultura seja representativo de uma infecção real.
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