Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2022
Um lactente de 10 meses de vida é levado pela mãe à unidade de pronto atendimento infantil devido à febre alta com 48 horas de evolução, associada a vômitos e inapetência. Nega alergia medicamentosa. Vacinação em dia. Infecção do trato urinário (ITU) aos sete meses com tratamento ambulatorial. Nega demais comorbidades. Ao exame físico encontrava-se irritado, febril (38,1 °C), corado, hidratado, acianótico, anictérico, sem outras alterações. Coletadas urina rotina (EAS), Gram de gota e urinocultura (URC) por cateterismo vesical que evidenciou esterase leucocitária positiva, nitrito positivo, piócitos campos repletos, presença de bastonetes Gram-negativos; URC em andamento. Considerando a hipótese diagnóstica desse caso, assinale a alternativa correta.
Lactente com ITU febril, alteração do estado geral e vômitos → tratamento parenteral precoce para prevenir cicatriz renal.
Em lactentes com suspeita de ITU febril, especialmente com sinais de toxicidade (irritabilidade, vômitos, inapetência), o tratamento antibiótico parenteral deve ser iniciado precocemente, mesmo antes do resultado da urinocultura, para evitar complicações como a pielonefrite e a formação de cicatrizes renais. A coleta por cateterismo vesical é o padrão-ouro para diagnóstico em lactentes.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, especialmente em lactentes. A ITU febril em lactentes é uma preocupação particular devido ao alto risco de pielonefrite aguda e subsequente formação de cicatrizes renais, que podem ter consequências a longo prazo, como hipertensão arterial e doença renal crônica. A apresentação clínica em lactentes pode ser inespecífica, incluindo febre, irritabilidade, vômitos e inapetência, o que torna o diagnóstico desafiador. O diagnóstico de ITU em lactentes requer a coleta de urina por métodos que minimizem a contaminação, sendo o cateterismo vesical o padrão-ouro. O exame de urina (EAS) com esterase leucocitária e nitrito positivos, além de piócitos e bastonetes Gram-negativos, sugere fortemente o diagnóstico. A urinocultura é essencial para a confirmação e identificação do agente etiológico, mas o tratamento não deve ser atrasado. A conduta terapêutica deve ser instituída precocemente. Em lactentes com ITU febril e sinais de toxicidade, como alteração do estado geral e vômitos, o tratamento parenteral é a via preferencial, garantindo a absorção adequada do antibiótico e uma resposta mais rápida. A duração do tratamento parenteral pode variar, mas a transição para a via oral é geralmente possível após melhora clínica, com a duração total do tratamento sendo tipicamente de 7 a 14 dias para pielonefrite. O objetivo principal é erradicar a infecção e prevenir danos renais permanentes.
O tratamento parenteral é indicado para lactentes com ITU febril que apresentam sinais de toxicidade, como alteração do estado geral, vômitos persistentes, desidratação, ou incapacidade de tolerar medicação oral.
A urinocultura por cateterismo vesical é o método padrão-ouro para o diagnóstico de ITU em lactentes, pois minimiza a contaminação e fornece resultados mais confiáveis do que a coleta de saco.
O tratamento precoce da ITU em lactentes é crucial para prevenir a progressão da infecção para o parênquima renal (pielonefrite) e, consequentemente, reduzir o risco de formação de cicatrizes renais, que podem levar a hipertensão e doença renal crônica.
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