HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023
Mulher, com idade gestacional de 20 semanas, comparece à unidade de emergência com queixa de dor em baixo ventre, ardência urinar e aumento da frequência de micção há dois dias. Nega febre ou outros sintomas no momento. Tem história de quatro gestações, com três partos, sendo os dois últimos cesarianas. Também relatou que teve um episódio semelhante com 13 semanas de gestação, o qual foi tratado com resolução total dos sintomas, e que na segunda consulta de pré-natal precisou fazer uso de antibiótico para tratar uma infecção urinária (ITU), mesmo sem ter nenhum sintoma na ocasião. Qual é a conduta que deve ser adotada neste momento?
ITU sintomática na gestação → iniciar ATB empírico após urocultura; não aguardar resultado.
Infecção do Trato Urinário (ITU) sintomática na gestação, mesmo sem febre, deve ser tratada prontamente devido ao risco aumentado de complicações maternas (pielonefrite) e fetais (parto prematuro). A coleta de urocultura é essencial para guiar o tratamento, mas a antibioticoterapia empírica deve ser iniciada imediatamente após a coleta, sem aguardar o resultado.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é comum na gravidez devido a alterações fisiológicas como dilatação do trato urinário e estase urinária, que favorecem a ascensão bacteriana. A ITU na gestação pode se manifestar como bacteriúria assintomática, cistite ou pielonefrite. É uma condição de grande importância clínica, pois está associada a riscos aumentados de parto prematuro, baixo peso ao nascer e pielonefrite materna, que pode levar a sepse e insuficiência renal. A paciente apresenta sintomas de cistite (dor em baixo ventre, ardência urinária, polaciúria) e histórico de ITUs prévias na gestação, o que a coloca em maior risco de recorrência e complicações. O diagnóstico de ITU sintomática é clínico, mas a urocultura com antibiograma é fundamental para identificar o agente etiológico e sua sensibilidade aos antibióticos, guiando o tratamento definitivo. A conduta para ITU sintomática na gestação é iniciar a antibioticoterapia empírica imediatamente após a coleta da urocultura, sem aguardar o resultado. Isso se deve ao alto risco de progressão para pielonefrite e suas consequências. Antibióticos seguros na gravidez incluem cefalexina, amoxicilina, nitrofurantoína (evitar no termo) e fosfomicina. O tratamento deve ser mantido por 7 a 10 dias, seguido de urocultura de controle para confirmar a erradicação da infecção.
A ITU não tratada na gestação aumenta o risco de pielonefrite materna, que pode levar a sepse, insuficiência renal e anemia. Para o feto, há risco de parto prematuro, baixo peso ao nascer e, em casos graves, morte perinatal.
O tratamento empírico imediato é crucial para prevenir a progressão da infecção para pielonefrite e outras complicações graves, tanto para a mãe quanto para o feto. A urocultura é coletada para guiar o ajuste do antibiótico, se necessário, após o resultado.
Antibióticos seguros para ITU na gravidez incluem cefalexina, amoxicilina, fosfomicina e nitrofurantoína (evitar no terceiro trimestre e em gestantes com deficiência de G6PD). A escolha depende da sensibilidade local e histórico da paciente.
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