Tratamento de ITU por ESBL: Diretrizes IDSA e Conduta Oral

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2025

Enunciado

Mulher de 70 anos apresenta infecções urinárias de repetição. Há três dias, refere disúria e polaciúria com coleta de urocultura. EF: BEG, sem febre e com sinal de Giordano negativo. Exames laboratoriais: leucócitos: 8000/mm3 e PCR: 0,5 mg/dL. Urocultura: Klebsiella pneumoniae ESBL, sensível aos carbapenêmicos, sulfametoxazol-trimetoprim e amoxacilina-clavulonato. Segundo o guideline da Infectious Disease Society of America (IDSA), o tratamento deve ser:

Alternativas

  1. A) Ambulatorial com sulfametoxazol-trimetoprim.
  2. B) Ambulatorial com amoxacilina-clavulonato.
  3. C) Internar a paciente e entrar com meropenem.
  4. D) Internar a paciente e entrar com ertapenem.

Pérola Clínica

Cistite por ESBL sensível a TMP-SMX → Tratamento ambulatorial oral é preferencial e seguro.

Resumo-Chave

O tratamento de cistites não complicadas causadas por germes produtores de ESBL deve priorizar agentes orais se houver sensibilidade in vitro, reservando carbapenêmicos para casos graves ou pielonefrites.

Contexto Educacional

O manejo de infecções por organismos produtores de beta-lactamase de espectro estendido (ESBL) representa um desafio clínico crescente. O guideline do IDSA (Infectious Diseases Society of America) enfatiza a importância do 'stewardship' de antibióticos. Em casos de cistite não complicada (ausência de febre, Giordano negativo, estabilidade clínica), a presença de ESBL não obriga o uso de carbapenêmicos intravenosos. Se o antibiograma revela sensibilidade a agentes orais como Sulfametoxazol-Trimetoprim, Nitrofurantoína ou Fosfomicina, estes devem ser a primeira escolha. O uso de Amoxicilina-Clavulanato, embora sensível in vitro, é frequentemente desencorajado como primeira linha para ESBL devido ao risco de falha terapêutica por efeito inóculo, sendo o TMP-SMX uma opção mais robusta neste cenário específico.

Perguntas Frequentes

O que define uma bactéria como ESBL?

ESBL (Extended-Spectrum Beta-Lactamase) são enzimas produzidas por certas bactérias, principalmente Klebsiella e E. coli, que conferem resistência à maioria dos antibióticos beta-lactâmicos, incluindo penicilinas, cefalosporinas de 1ª, 2ª e 3ª gerações e aztreonam. No entanto, elas permanecem frequentemente sensíveis a carbapenêmicos e, em alguns casos, a agentes não beta-lactâmicos como TMP-SMX e Nitrofurantoína.

Por que usar TMP-SMX se a bactéria é ESBL?

O fenótipo ESBL refere-se especificamente à resistência aos beta-lactâmicos. Se o teste de sensibilidade (antibiograma) demonstrar que a cepa é sensível ao sulfametoxazol-trimetoprim (que age na síntese de folato), este medicamento pode ser usado com eficácia, especialmente em infecções de trato urinário baixo (cistites), onde a concentração da droga é alta.

Quando é necessário internar para tratar ESBL?

A internação é indicada em casos de pielonefrite com sinais de sepse, instabilidade hemodinâmica, incapacidade de ingestão oral ou quando não há opções de antibióticos orais disponíveis no antibiograma. Para cistites simples em pacientes estáveis, o tratamento deve ser ambulatorial.

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