SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
A prevalência de ITU em crianças menores de dois anos que apresentam febre tem sido objeto de estudos prospectivos e meta-análises. Em torno de 7% dos pré-escolares e escolares apresentam febre e varia com a idade, a raça, o sexo e a circuncisão prévia. Assinale a alternativa CORRETA sobre ITU.
Lactentes < 3 meses: ITU é mais comum em meninos (especialmente não circuncisados); após essa idade, predomina em meninas.
A epidemiologia da ITU na infância varia drasticamente com a idade e o sexo. Nos primeiros meses de vida, anomalias estruturais e a presença do prepúcio tornam os meninos mais vulneráveis.
A ITU é uma das infecções bacterianas mais comuns em lactentes febris. O diagnóstico precoce é crucial para prevenir cicatrizes renais e hipertensão arterial futura. Em crianças menores de 2 anos, os sintomas são frequentemente inespecíficos (febre, irritabilidade, baixo ganho ponderal), exigindo alto índice de suspeição. A coleta de urina deve ser realizada por cateterismo vesical ou punção suprapúbica em crianças sem controle esfincteriano para evitar contaminação da amostra.
Nos primeiros meses de vida, a incidência de ITU é maior no sexo masculino devido a uma maior frequência de anomalias congênitas do trato urinário e, principalmente, à presença do prepúcio em meninos não circuncisados. O espaço subprepucial pode atuar como um reservatório para patógenos uropatogênicos, facilitando a colonização e a ascensão bacteriana. Após os 3-6 meses, a incidência em meninas supera a de meninos devido à uretra mais curta e proximidade anorretal.
A Escherichia coli é o agente mais comum em ambos os sexos e em todas as faixas etárias, sendo responsável por cerca de 80-90% dos casos. Outros patógenos incluem Klebsiella, Proteus (mais comum em meninos devido à colonização prepucial), Enterobacter e Enterococos. A presença de germes atípicos ou infecções recorrentes deve sempre levantar a suspeita de malformações do trato urinário, como o refluxo vesicoureteral.
Estudos epidemiológicos demonstram que crianças de raça branca apresentam uma prevalência significativamente maior de infecção do trato urinário em comparação com crianças de raça negra, quando apresentam quadros febris sem foco aparente. Essa diferença é levada em conta em escores de risco clínico (como o UTICalc) para decidir sobre a necessidade de coleta de urina em lactentes febris.
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