SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2024
Em sua reunião estratégica de equipe para discutir as próximas visitas domiciliares a serem realizadas, o ACS Gustavo traz para sua ciência que dona Alegria, uma paciente de 102 anos que reside na área, já acamada há dez anos, está com sintomas urinários e a família solicitou visita. Você prontamente se dispõe a fazer a visita domiciliar no turno da tarde. Em seu atendimento domiciliar, você é recebido por Marcello, filho da paciente. D. Alegria é acompanhada por demência de Alzheimer grave, sem outras comorbidades conhecidas. É restrita ao leito, apresenta postura fletida, não interage com examinador, alimenta-se por gastrostomia e apresenta dupla incontinência. Está constipada há 5 dias, sem distensão abdominal. Apresenta lesão por pressão estágio 2 em região sacral, que está em acompanhamento em conjunto por equipe de Atenção Domiciliar. Em último internamento hospitalar, foi estabelecido plano terapêutico com cuidados paliativos, com acompanhamento no nível domiciliar. Medidas invasivas e desproporcionais foram contraindicadas, inclusive ressuscitação cardiopulmonar. A família compreende o contexto de finitude e o estado de fragilidade de saúde em que se encontra a matriarca da família. Há dois dias a paciente evoluiu com episódios de agitação psicomotora, polaciúria, hematúria e aparente disúria, com gemidos durante diurese. Há um dia, apresentou pico febril de 37,8°C. Hoje, durante seu atendimento, você encontra paciente afebril, sonolenta, não interagindo com examinador. Os sinais vitais estão estáveis. A fralda apresenta diurese de caráter avermelhado. O exame físico não traz achados clinicamente relevantes. Assinale a alternativa que traz a conduta terapêutica inicial adequada em relação ao quadro urinário de d. Alegria.
ITU em paliativo/acamado: tratar sintomas e considerar ATB se houver desconforto significativo e expectativa de melhora da qualidade de vida.
Em pacientes idosos, acamados e em cuidados paliativos, a abordagem da ITU deve focar na qualidade de vida e no controle de sintomas. A antibioticoterapia é indicada se houver sinais claros de desconforto atribuíveis à infecção e se o tratamento puder aliviar o sofrimento, sem prolongar o processo de morrer ou causar efeitos adversos desproporcionais. A hospitalização deve ser evitada se o manejo domiciliar for adequado e alinhado aos desejos do paciente e família.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) em pacientes idosos acamados, especialmente aqueles com demência avançada e em cuidados paliativos, representa um desafio clínico significativo. A epidemiologia mostra que a prevalência de bacteriúria assintomática é alta nessa população, e a distinção entre colonização e infecção sintomática é crucial. A importância clínica reside em proporcionar conforto e qualidade de vida, evitando tratamentos desproporcionais que possam gerar mais sofrimento. A fisiopatologia da ITU em idosos é multifatorial, envolvendo alterações anatômicas e funcionais do trato urinário, imunossenescência e comorbidades. O diagnóstico é complexo devido à apresentação atípica dos sintomas, que podem incluir agitação, letargia, piora funcional ou febre baixa, em vez dos sintomas clássicos de disúria e polaciúria. Deve-se suspeitar de ITU quando há uma mudança aguda no estado basal do paciente, acompanhada de sinais urinários ou sistêmicos que causem desconforto. O tratamento deve ser guiado pelos princípios dos cuidados paliativos, focando no alívio dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida. A antibioticoterapia é indicada se houver sinais claros de desconforto atribuíveis à infecção e se o tratamento puder trazer benefício real, com reavaliação precoce. Medidas não-farmacológicas, como hidratação e higiene, são adjuvantes importantes. A hospitalização deve ser reservada para casos de instabilidade hemodinâmica ou falha do tratamento domiciliar, sempre ponderando os objetivos de cuidado do paciente e da família.
Em idosos acamados com demência, os sintomas de ITU podem ser atípicos, incluindo agitação psicomotora, sonolência, letargia, recusa alimentar, piora da incontinência, gemidos ou mudanças no padrão de comportamento, além de febre baixa ou ausente. A disúria e polaciúria podem ser difíceis de avaliar em pacientes não verbais.
A antibioticoterapia deve ser considerada quando há evidências de desconforto significativo atribuível à ITU (como dor, agitação, febre) e quando o tratamento pode melhorar a qualidade de vida do paciente, aliviando os sintomas. A decisão deve ser individualizada, discutida com a família e alinhada aos objetivos dos cuidados paliativos, evitando tratamentos fúteis ou desproporcionais.
A hospitalização é frequentemente evitada para preservar a qualidade de vida do paciente em seu ambiente familiar, reduzir o estresse e o risco de delirium associado à internação, e evitar procedimentos invasivos desnecessários. O manejo domiciliar com antibioticoterapia oral e sintomáticos é preferível, desde que a condição clínica permita e haja suporte adequado.
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