PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020
Mulher de 83 anos é levada à UPA pela cuidadora com o relato de piora de estado geral, prostração, recusa alimentar e falta de interação com terceiros desde a manhã do dia anterior. Vive em instituição de longa permanência e apresenta demência de Alzheimer. Habitualmente se alimenta da dieta pastosa com auxílio, requer assistência para a higiene pessoal e para se vestir, não tem controle esfincteriano, preserva a fala e a interação com outras pessoas. Ao exame físico, apresenta FC 104bpm, FR 17irpm, PA 130/90mmHg, Tax 36,8°C. Está sonolenta, gemente, apresenta abertura ocular ao chamado e localiza o estímulo doloroso. As mucosas estão hipocoradas e desidratadas. Restante do exame físico sem alterações. Exames de laboratório: Hb 12,4g/dL; LG 7.000/mm³; Plq 201.000/mm³; PCR 5mg/L. Exame de urina (amostra colhida por sondagem vesical): densidade 1.020; pH 6,0; nitro negativo; esterase leucocitária ++; proteínas +; hemoglobina +; 15 piócitos/campo, 11 hemácias/campo. Bacterioscopia de gota de urina não centrifugada: numerosos bastonetes Gram-negativo. Assinale a conduta imediata MAIS ADEQUADA nesse caso.
Idoso com alteração do estado geral + urocultura sugestiva de ITU = investigar outras causas antes de ATB empírico.
Em idosos frágeis, especialmente com demência, a alteração do estado geral pode ter múltiplas causas, e a bacteriúria assintomática é comum. Embora a urina sugira ITU, a ausência de febre e PCR baixo levantam a suspeita de outras etiologias. A conduta inicial mais adequada é hidratação intravenosa e uma investigação diagnóstica mais ampla para descartar outras condições antes de iniciar antibióticos de amplo espectro.
A infecção do trato urinário (ITU) em idosos, especialmente aqueles com demência ou institucionalizados, apresenta desafios diagnósticos significativos. As manifestações clínicas podem ser atípicas, incluindo prostração, confusão mental (delirium), recusa alimentar e piora do estado geral, sem os sintomas urinários clássicos. A bacteriúria assintomática é altamente prevalente nessa população, complicando a interpretação de exames de urina. A fisiopatologia da ITU em idosos é multifatorial, envolvendo alterações anatômicas e funcionais do trato urinário, imunossenescência e comorbidades. O diagnóstico requer uma avaliação cuidadosa, correlacionando os achados laboratoriais (urocultura, sumário de urina) com o quadro clínico. É fundamental diferenciar uma ITU sintomática de uma bacteriúria assintomática, que não necessita de tratamento antibiótico. A conduta inicial em idosos com alteração do estado geral e achados urinários sugestivos de ITU, mas sem sinais claros de sepse ou febre, deve focar na hidratação e na investigação de outras causas para o quadro. Desidratação, efeitos adversos de medicamentos, outras infecções (respiratórias, cutâneas) e descompensação de comorbidades são diagnósticos diferenciais importantes. O uso indiscriminado de antibióticos contribui para a resistência antimicrobiana e deve ser evitado.
Em idosos, a ITU pode se manifestar de forma atípica com alteração do estado geral, prostração, confusão mental (delirium), recusa alimentar, sem os sintomas urinários clássicos como disúria ou polaciúria.
A diferenciação é feita pela presença de sintomas sistêmicos ou urinários atribuíveis à infecção. A bacteriúria assintomática é comum em idosos, especialmente institucionalizados, e não requer tratamento antibiótico.
A hidratação IV é crucial para corrigir desidratação, que é uma causa comum de alteração do estado geral e pode mascarar ou agravar outras condições, permitindo uma avaliação mais precisa do paciente.
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