UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2020
Paciente secundigesta, com 27 semanas de idade gestacional, encontra-se internada na maternidade para tratamento de infeção urinária. Informa três episódios de infecção do trato urinário durante essa gravidez. No momento da alta, é correto recomendar:
ITU de repetição na gravidez → profilaxia com nitrofurantoína 100mg à noite até o parto (evitar no termo).
Pacientes gestantes com infecções do trato urinário de repetição (três ou mais episódios) têm indicação de profilaxia antibiótica para prevenir novas infecções e complicações como pielonefrite e parto prematuro. A nitrofurantoína é uma opção segura e eficaz para essa profilaxia, devendo ser evitada apenas no final da gestação (termo) devido ao risco de anemia hemolítica neonatal.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das complicações mais comuns na gravidez, afetando cerca de 10% das gestantes. A fisiologia da gravidez, com dilatação do trato urinário e estase urinária, predispõe as mulheres a infecções. A ITU não tratada ou recorrente na gestação está associada a riscos significativos, incluindo pielonefrite materna, que pode levar a sepse, e complicações obstétricas como parto prematuro, baixo peso ao nascer e restrição de crescimento intrauterino. Portanto, o rastreamento e manejo adequados são fundamentais. Em casos de ITU de repetição durante a gravidez, a profilaxia antibiótica é uma medida essencial para prevenir novos episódios e suas potenciais complicações. A escolha do agente antimicrobiano deve considerar a eficácia contra os patógenos comuns e, crucialmente, a segurança para a mãe e o feto. A nitrofurantoína, em dose de 100mg à noite, é uma das opções preferenciais para profilaxia prolongada, sendo geralmente segura durante a maior parte da gestação. No entanto, deve ser evitada no último trimestre (após 37 semanas) devido ao risco teórico de anemia hemolítica no neonato, especialmente em casos de deficiência de G6PD. É importante ressaltar que alguns antibióticos comumente usados para ITU fora da gravidez, como o sulfametoxazol-trimetoprim (Bactrim), possuem contraindicações específicas na gestação. O Bactrim é contraindicado no primeiro trimestre devido ao risco de teratogenicidade (antagonismo do folato) e no terceiro trimestre pelo risco de kernicterus no neonato. O conhecimento dessas particularidades é vital para a prática clínica segura e eficaz no manejo da gestante.
A ITU na gravidez aumenta o risco de complicações maternas, como pielonefrite, e fetais, como parto prematuro, baixo peso ao nascer e restrição de crescimento intrauterino. O rastreamento e tratamento adequados são cruciais.
A profilaxia antibiótica é indicada para gestantes com ITU de repetição, geralmente definida como três ou mais episódios de infecção urinária durante a gravidez, ou dois episódios de pielonefrite.
A nitrofurantoína é eficaz contra a maioria dos patógenos causadores de ITU e possui um bom perfil de segurança na gravidez, sendo geralmente evitada apenas no último trimestre (após 37 semanas) devido ao risco teórico de anemia hemolítica neonatal em casos de deficiência de G6PD.
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