ITU na Gravidez: Tratamento e Contraindicações da Nitrofurantoína

PMSO - Prefeitura Municipal de Sorocaba (SP) — Prova 2021

Enunciado

O aparecimento de infecção do trato urinário (ITU), configura uma das mais comuns complicações médicas da gravidez. A bacteriúria assintomática ocorre em 2 a 7% das gestações e, seu rastreamento e tratamento é muito importante para reduzir a progressão às consequências mais severas. Em relação à terapêutica das ITU, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) O uso da Nitrofurantoína está contraindicado a partir da 36ª semana de gestação, em função da possibilidade de desenvolvimento da hipertensão materna.
  2. B) Antibióticos de escolha para o tratamento da cistite ou bacteriúria assintomática são a Nitrofurantoína, Cefalexina, Amoxacilina com clavulanato ou Axetil cefuroxima.
  3. C) Repetir a urocultura entre sete e dez dias após o término do tratamento é recomendado.
  4. D) As possíveis complicações perinatais decorrentes da ITU na gravidez são: prematuridade, crescimento intra útero restrito, RN com baixo peso, ruptura prematura das membranas, infecção fetal intrauterina, sepse neonatal ou óbito fetal.
  5. E) A gestação se associa a uma maior estase de urina no trato genital inferior e superior, seja por dificuldades de esvaziamento associadas à compressão pelo útero gravídico, seja pelo peristaltismo ureteral reduzido e leve dilatação ureteral observado durante a gestação.

Pérola Clínica

Nitrofurantoína contraindicada >36 sem. gestação por risco de anemia hemolítica neonatal, NÃO hipertensão materna.

Resumo-Chave

A alternativa incorreta afirma que a nitrofurantoína é contraindicada a partir da 36ª semana de gestação devido à possibilidade de hipertensão materna. Na verdade, a contraindicação se deve ao risco de anemia hemolítica no recém-nascido, especialmente em prematuros ou naqueles com deficiência de G6PD, devido à imaturidade enzimática fetal.

Contexto Educacional

A infecção do trato urinário (ITU) é a complicação médica mais comum da gravidez, afetando cerca de 10% das gestantes. A bacteriúria assintomática, presente em 2-7% das gestações, é particularmente preocupante, pois se não tratada, pode progredir para cistite e pielonefrite, aumentando significativamente os riscos maternos e perinatais. As alterações fisiológicas da gravidez, como a estase urinária devido à compressão ureteral pelo útero gravídico e a redução do peristaltismo ureteral, favorecem o crescimento bacteriano. O rastreamento da bacteriúria assintomática é recomendado no primeiro trimestre através de urocultura. O tratamento é essencial para prevenir complicações como prematuridade, restrição de crescimento intrauterino, baixo peso ao nascer e sepse neonatal. Os antibióticos de escolha para cistite ou bacteriúria assintomática incluem cefalexina, amoxicilina com clavulanato e axetil cefuroxima. A nitrofurantoína é uma opção eficaz e segura na maior parte da gestação, mas possui uma contraindicação específica. É crucial notar que a nitrofurantoína é contraindicada a partir da 36ª semana de gestação devido ao risco de anemia hemolítica no recém-nascido, especialmente em prematuros ou naqueles com deficiência de G6PD. Essa contraindicação não está relacionada à hipertensão materna, como erroneamente afirmado na questão. Após o tratamento, é recomendado repetir a urocultura entre sete e dez dias para confirmar a erradicação da infecção e monitorar a recorrência, garantindo a saúde da mãe e do feto.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais complicações perinatais da ITU não tratada na gravidez?

As complicações perinatais incluem prematuridade, restrição de crescimento intrauterino, baixo peso ao nascer, ruptura prematura das membranas, infecção fetal intrauterina, sepse neonatal e óbito fetal. O rastreamento e tratamento da bacteriúria assintomática são cruciais para prevenir esses desfechos.

Por que a nitrofurantoína é contraindicada no final da gestação?

A nitrofurantoína é contraindicada a partir da 36ª semana de gestação (ou próximo ao termo) devido ao risco de anemia hemolítica no recém-nascido. Isso ocorre porque o sistema enzimático fetal é imaturo, tornando o feto mais suscetível aos efeitos oxidativos da droga, especialmente em casos de deficiência de G6PD.

Quais antibióticos são seguros e eficazes para tratar ITU na gravidez?

Antibióticos seguros e eficazes incluem cefalexina, amoxicilina com clavulanato e axetil cefuroxima. A nitrofurantoína também é uma opção segura durante a maior parte da gestação, mas deve ser evitada no terceiro trimestre avançado. A escolha deve ser guiada por urocultura e antibiograma.

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