ITU na Gravidez: Fisiopatologia e Classificação

HEVV - Hospital Evangélico de Vila Velha (ES) — Prova 2023

Enunciado

A infecção do trato urinário (ITU) na gravidez é uma intercorrência muito comum, acometendo cerca de 10% a 12% das gestantes. Tem o potencial de promover complicações graves, tanto para a mãe quanto para o concepto, relacionando-se, principalmente, com aumento de anemia, prematuridade e baixo peso ao nascer.Considerando a ITU na gravidez, analise as afirmativas a seguir.I. Diversos fatores bioquímicos, metabólicos, endócrinos e mecânicos, próprios da adaptação fisiológica do organismo materno à gestação, dificultam o aparecimento da ITU.II. Os organismos que causam a ITU são aqueles da flora vulvoperineal normal.III. O agente etiológico mais comumente envolvido é a Escherichia coli, embora outros agentes possam estar envolvidos (como estreptococos, estafilococos, Klebsielas, Proteus, Psedomonas, Enterococos).IV. Clinicamente, as ITUs podem ser classificadas como bacteriúria assintomática, cistite (infecção urinária baixa ou do trato urinário inferior) e a pielonefrite (do trato urinário superior).Estão corretas as afirmativas

Alternativas

  1. A) I e II, apenas.
  2. B) III e IV, apenas.
  3. C) II, III e IV, apenas.
  4. D) I, II, III e IV.

Pérola Clínica

ITU na gravidez: ↑ risco devido a alterações fisiológicas; E. coli principal agente; classificada em bacteriúria, cistite e pielonefrite.

Resumo-Chave

A gravidez, devido a alterações fisiológicas como dilatação do trato urinário e estase urinária, AUMENTA o risco de ITU, não dificulta. Os agentes etiológicos são predominantemente da flora vulvoperineal, com E. coli sendo o mais comum. A classificação clínica inclui bacteriúria assintomática, cistite e pielonefrite, com diferentes abordagens terapêuticas.

Contexto Educacional

A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das intercorrências mais frequentes na gravidez, afetando cerca de 10-12% das gestantes. Sua importância reside no potencial de causar complicações graves para a mãe e o feto, como pielonefrite, parto prematuro, baixo peso ao nascer e aumento da mortalidade perinatal. O rastreamento e tratamento adequados são fundamentais. As alterações fisiológicas da gravidez, como a dilatação dos ureteres e pelve renal (hidronefrose fisiológica), diminuição do tônus da musculatura lisa do trato urinário, estase urinária e glicosúria, criam um ambiente propício para o crescimento bacteriano e o desenvolvimento de ITU. Os agentes etiológicos são predominantemente bactérias da flora vulvoperineal e intestinal, sendo a Escherichia coli responsável pela maioria dos casos. Clinicamente, a ITU na gravidez pode se manifestar como bacteriúria assintomática (presença de bactérias na urina sem sintomas), cistite (infecção do trato urinário inferior com disúria, polaciúria, urgência) ou pielonefrite (infecção do trato urinário superior com febre, dor lombar, calafrios). O diagnóstico é feito por urocultura e o tratamento deve ser iniciado prontamente com antibióticos seguros na gestação, mesmo para bacteriúria assintomática, para prevenir a progressão para pielonefrite.

Perguntas Frequentes

Quais fatores fisiológicos da gravidez aumentam o risco de ITU?

A gravidez causa dilatação do sistema coletor renal (hidronefrose fisiológica), diminuição do tônus ureteral, estase urinária e glicosúria, todos fatores que favorecem o crescimento bacteriano e o refluxo vesicoureteral, aumentando o risco de ITU.

Qual o agente etiológico mais comum da ITU na gestação?

A Escherichia coli é o agente etiológico mais comum, responsável por cerca de 80-90% das infecções do trato urinário na gravidez, seguida por Klebsiella, Proteus e Enterococos.

Quais as principais complicações da ITU não tratada na gravidez?

A ITU não tratada na gravidez pode levar a complicações graves como pielonefrite aguda, parto prematuro, baixo peso ao nascer, anemia materna, sepse e, em casos extremos, óbito materno ou fetal.

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