ITU na Gravidez: Fisiologia, Diagnóstico e Tratamento

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Gestante, 28 anos, G3P2, com 23 semanas de gestação procurou a Unidade de Saúde com queixa de dor ao urinar, sensação de ardência e aumento da frequência urinária há 2 dias. Nega febre, dor lombar ou outras sintomas sistêmicos. Não apresenta comorbidades. Exame físico: temperatura de 36,8°C, pressão arterial 120/70 mmHg, frequência cardíaca 76 bpm. Sinal clínico de Giordano negativo.A partir do enunciado apresentado, assinale a única alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A gravidez exerce modificações fisiológicas anatômicas e funcionais no sistema urinário, com dilatação ureteral fisiológica, diminuição na tonicidade e motilidade de sua musculatura mais evidentes no lado esquerdo e redução do tônus vesical pelo efeito da progesterona.
  2. B) As infecções do trato urinário representam a forma mais frequente de infecção bacteriana no ciclo gravídico-puerperal. A estase urinária predispõe a gestante à bacteriúria assintomática ou infecçăo urinária franca e à nefrolitíase.
  3. C) A cistite aguda durante a gestação mostra apresentar-se como uma síndrome caracterizada por quadro de urgência, frequência miccíonal, disúria e incômodos suprapúbicos, com sintomas de acometimento do quadro geral, como febre e dor à percussão costolombar.
  4. D) No caso de cistite sintomáttca não complicada, não é necessário colher cultura de urina antes do início do tratamento, a terapêutica com antibióticos pode ser feita com nitrofurantoína, amoxilina, cefalosporinas de primeira geração ou ainda fosfomicina trometamol.
  5. E) A urocultura deve ser solicitada na primeira consulta com objetivo de rastrear da bacteriúria assintomática, condição que deve ser tratada em gestantes, e diante de uma gestante com infecção do trato urinário. Após o tratamento, não é necessário repetir a urocultura.

Pérola Clínica

ITU é a infecção bacteriana + comum na gestação; estase urinária predispõe a bacteriúria e ITU franca.

Resumo-Chave

A gravidez induz modificações fisiológicas no trato urinário, como dilatação ureteral e diminuição da motilidade, que levam à estase urinária. Essa estase é um fator de risco significativo para o desenvolvimento de infecções do trato urinário, incluindo bacteriúria assintomática e cistite.

Contexto Educacional

As infecções do trato urinário (ITUs) são as infecções bacterianas mais comuns durante a gravidez, representando um desafio significativo na prática obstétrica. A gestação induz uma série de modificações anatômicas e funcionais no sistema urinário, como a dilatação dos ureteres (mais proeminente à direita devido à compressão pelo útero e vasos), diminuição da motilidade ureteral e redução do tônus vesical, principalmente sob influência da progesterona. Essas alterações levam à estase urinária, que é um fator predisponente crucial para o crescimento bacteriano. A estase urinária aumenta o risco de bacteriúria assintomática, cistite e, mais gravemente, pielonefrite aguda, que pode resultar em complicações maternas (sepse, anemia) e fetais (parto prematuro, baixo peso ao nascer). Por isso, o rastreamento da bacteriúria assintomática com urocultura na primeira consulta pré-natal é mandatório, e seu tratamento é essencial, mesmo na ausência de sintomas. O manejo da ITU na gestação exige a escolha de antibióticos seguros para a mãe e o feto, como nitrofurantoína (com restrições no terceiro trimestre), amoxicilina, cefalosporinas de primeira geração e fosfomicina. A urocultura é fundamental para confirmar o diagnóstico, identificar o agente etiológico e guiar a terapia antimicrobiana. Após o tratamento, uma urocultura de controle é recomendada para confirmar a erradicação da infecção.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais modificações fisiológicas do trato urinário na gravidez?

A gravidez causa dilatação ureteral fisiológica (mais evidente à direita), diminuição da tonicidade e motilidade ureteral, e redução do tônus vesical devido à progesterona, favorecendo a estase urinária.

Por que a bacteriúria assintomática deve ser tratada em gestantes?

A bacteriúria assintomática na gestação é um fator de risco importante para o desenvolvimento de cistite e pielonefrite aguda, que podem levar a complicações maternas e fetais, como parto prematuro.

Quais antibióticos são seguros para tratar cistite na gravidez?

Antibióticos seguros incluem nitrofurantoína (evitar no termo), amoxicilina, cefalosporinas de primeira geração e fosfomicina trometamol. A urocultura é essencial para guiar o tratamento.

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