Manejo da Infecção Urinária na Gestação: Guia Prático

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2016

Enunciado

Uma mulher com 25 anos de idade, primigesta, no curso da 16ª semana de gestação, é atendida em consulta pré-natal na Unidade Básica de Saúde. A paciente queixa-se de leve desconforto em baixo ventre e relata que a urina apresenta coloração turva e cheiro forte; nega febre. Os resultados do exame de urina são: cor amarelo âmbar; aspecto ligeiramente turvo; densidade = 1.025 (valor de referência: 1.015 a 1.025); nitrito positivo; proteínas < 30 mg/dL; glicose = 1,0 mg/dL (valor de referência: 1,0 a 16,5 mg/dL); corpos cetônicos ausentes (valor de referência: ausente); pH = 7,5 (valor de referência: 4,5 a 6,5); urobilogênio < 1 mg/dL (valor de referência: 0,21 a 1,0 mg/dL); bilirrubina ausente (valor de referência: ausente); sangue/hemoglobina presente (+/+++); esterase leucocitária presente; leucócitos = 15/campo (valor de referência: 5/campo); urocultura > 105 ufc de Escherichia coli. Considerando o quadro clínico-laboratorial da paciente, o plano terapêutico indicado é:

Alternativas

  1. A) Prescrever norfloxacino 400 mg, a cada 12 horas, durante 7 dias; repetir urocultura no terceiro trimestre.
  2. B) Prescrever cefalexina 500 mg, a cada 6 horas, durante 10 dias; repetir urocultura uma semana após o tratamento e a cada mês, até o parto.
  3. C) Prescrever sulfametoxazol-trimetoprima 1.600/320 mg, a cada 24 horas, durante 7 dias; repetir urocultura duas semanas após o tratamento.
  4. D) Acompanhar mensalmente a gestante, sem prescrição imediata de medicamentos; solicitar uroculturas de controle até a definição do caso.

Pérola Clínica

Gestante + Urocultura > 10^5 UFC = Tratar sempre (mesmo assintomática) + Controle mensal até o parto.

Resumo-Chave

A bacteriúria na gestação deve ser tratada para prevenir pielonefrite e desfechos obstétricos negativos. A cefalexina é segura e eficaz, exigindo seguimento rigoroso com uroculturas mensais.

Contexto Educacional

A infecção do trato urinário (ITU) é a complicação médica mais comum da gestação. A Escherichia coli é o patógeno isolado em mais de 80% dos casos. O diagnóstico laboratorial baseia-se na urocultura com contagem de colônias superior a 100.000 UFC/mL. O nitrito positivo e a esterase leucocitária no EAS reforçam a suspeita, mas a cultura é o padrão-ouro. O tratamento deve ser iniciado prontamente. Opções seguras incluem cefalosporinas de 1ª geração, amoxicilina e nitrofurantoína (esta última deve ser evitada no primeiro trimestre e próximo ao termo em pacientes com deficiência de G6PD). O uso de quinolonas (como norfloxacino) é contraindicado na gestação devido ao risco de artropatias fetais. O acompanhamento rigoroso é a chave para reduzir a morbimortalidade perinatal associada às infecções urinárias.

Perguntas Frequentes

Por que tratar bacteriúria assintomática na gestante?

Diferente da população geral, a gestante apresenta alterações anatômicas e fisiológicas (como hidronefrose fisiológica e relaxamento ureteral pela progesterona) que facilitam a ascensão de bactérias da bexiga para os rins. Cerca de 30-40% das gestantes com bacteriúria assintomática não tratada evoluirão para pielonefrite, uma condição grave associada a trabalho de parto prematuro, ruptura prematura de membranas e baixo peso ao nascer.

Qual o esquema terapêutico com Cefalexina?

A cefalexina é um antibiótico de primeira linha (Classe B na gestação) devido ao seu perfil de segurança. O esquema recomendado para cistite ou bacteriúria assintomática é de 500 mg a cada 6 horas (ou 12 horas em alguns protocolos) por 7 a 10 dias. É fundamental completar o ciclo mesmo com a melhora dos sintomas para garantir a erradicação bacteriana.

Como deve ser o seguimento após o tratamento?

Após o término do tratamento antibiótico, deve-se realizar uma urocultura de controle (teste de cura) em 7 a 14 dias. Devido ao alto risco de recorrência (até 30%), as diretrizes recomendam a realização de uroculturas mensais de vigilância até o momento do parto. Em casos de recorrências frequentes, a profilaxia antibiótica com doses baixas (ex: Nitrofurantoína) pode ser indicada.

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