UNIRG - Universidade de Gurupi (TO) — Prova 2022
Paciente primigesta, de 20 anos, em sua primeira consulta de pré-natal, relata disúria e dor em baixo ventre. Nega febre, dor lombar e história de nefrolitíase. Está com pré-natal adequado, em sua 27ª semana de gestação.A respeito do caso descrito, assinale a afirmativa correta.
ITU na gestação: uretra curta, proximidade ânus/vagina e estase urinária ↑ risco de pielonefrite.
A gestação predispõe à ITU devido a alterações anatômicas e fisiológicas. A uretra feminina é naturalmente mais curta, facilitando a ascensão bacteriana, e a dilatação ureteral e estase urinária, induzidas hormonalmente, aumentam o risco de progressão para pielonefrite.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das complicações médicas mais frequentes na gestação, afetando cerca de 10% das grávidas. Sua importância clínica reside no risco aumentado de progressão para pielonefrite aguda, uma condição grave que pode levar a sepse materna, parto prematuro, restrição de crescimento intrauterino e baixo peso ao nascer. O rastreamento e tratamento adequados da bacteriúria assintomática e das ITUs sintomáticas são cruciais para a saúde materno-fetal. A fisiopatologia da ITU na gestação envolve uma combinação de fatores anatômicos e fisiológicos. A uretra feminina é naturalmente curta, facilitando a ascensão de bactérias da região perineal. Durante a gravidez, o aumento dos níveis de progesterona causa relaxamento do músculo liso, levando à dilatação dos ureteres e à estase urinária. O útero gravídico também pode comprimir os ureteres, contribuindo para a hidronefrose fisiológica da gestação. Esses fatores, juntamente com a glicosúria e o pH urinário mais alcalino, criam um ambiente propício para a proliferação bacteriana e a ascensão de infecções. O tratamento da ITU na gestação deve ser iniciado prontamente, mesmo em casos de bacteriúria assintomática. A escolha do antibiótico deve considerar a segurança fetal e o perfil de sensibilidade local, sendo a amoxicilina, cefalexina e nitrofurantoína opções comuns. A prevenção de recorrências e o acompanhamento pós-tratamento são essenciais para garantir a erradicação da infecção e minimizar os riscos para a mãe e o bebê.
Os principais fatores de risco incluem a uretra feminina mais curta, a proximidade com o ânus e a vagina, alterações hormonais que causam relaxamento do músculo liso e dilatação ureteral, e a estase urinária resultante do crescimento uterino.
A bacteriúria assintomática em gestantes deve ser tratada para prevenir a progressão para cistite sintomática e, principalmente, para pielonefrite, que pode levar a complicações maternas e fetais graves, como parto prematuro e baixo peso ao nascer.
O germe mais comum é a Escherichia coli, responsável por cerca de 80-90% dos casos. Outros patógenos incluem Klebsiella pneumoniae, Proteus mirabilis e, em menor frequência, Streptococcus do grupo B.
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