PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2024
Gestante, com 34 semanas de gestação, comparece à consulta de urgência com queixa de dor supra púbica e ao fim da micção, bem como aumento da frequência urinária noturna e diurna. Refere ter tido dois outros episódios semelhantes nesta gestação, todos tratados com antibiótico na UBS. Em relação ao caso, assinale a alternativa CORRETA:
ITU na gestação: alterações fisiológicas renais (↑ TFG, glicosúria, urina alcalina) ↑ risco de infecção e complicações.
A gravidez induz alterações fisiológicas no trato urinário, como aumento do fluxo plasmático renal e da taxa de filtração glomerular, que podem levar à glicosúria e alcalinização da urina. Essas mudanças, juntamente com a estase urinária e compressão ureteral, predispõem a gestante a infecções do trato urinário, incluindo cistite e pielonefrite.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é a complicação bacteriana mais comum na gravidez, afetando cerca de 10% das gestantes. Sua importância reside no risco aumentado de complicações maternas e fetais, como pielonefrite aguda, parto prematuro, baixo peso ao nascer e sepse. O rastreamento e tratamento adequados são cruciais para a saúde materno-fetal. Fisiologicamente, a gravidez induz dilatação do sistema coletor renal (hidronefrose e hidroureter fisiológicos), estase urinária, diminuição do tônus ureteral e vesical, e alterações na composição da urina (glicosúria, alcalinização). Esses fatores, somados à imunossupressão relativa, facilitam a ascensão bacteriana e a proliferação de microrganismos, tornando a gestante mais suscetível à ITU. O diagnóstico baseia-se em urocultura, mesmo para bacteriúria assintomática. O tratamento da ITU na gestação deve ser imediato e com antibióticos seguros para a gestante e o feto. A escolha do antimicrobiano deve considerar o perfil de sensibilidade local e a segurança na gravidez. Em casos de ITU recorrente ou pielonefrite, a profilaxia antibiótica pode ser necessária para prevenir novas infecções e suas graves consequências.
Na gestação, há aumento do fluxo plasmático renal e TFG, levando a glicosúria e alcalinização da urina. A dilatação ureteral e estase urinária também contribuem para o maior risco de infecção.
A profilaxia é indicada em gestantes com ITU recorrente (dois ou mais episódios de cistite ou um de pielonefrite) ou bacteriúria assintomática persistente, mesmo após tratamento adequado.
Penicilinas, cefalosporinas, nitrofurantoína (evitar no 3º trimestre) e fosfomicina trometamol são geralmente considerados seguros. Sulfametoxazol-trimetoprim deve ser evitado no 1º e 3º trimestres.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo