ITU na Gestação: Fisiologia, Risco e Manejo Clínico

PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2024

Enunciado

Gestante, com 34 semanas de gestação, comparece à consulta de urgência com queixa de dor supra púbica e ao fim da micção, bem como aumento da frequência urinária noturna e diurna. Refere ter tido dois outros episódios semelhantes nesta gestação, todos tratados com antibiótico na UBS. Em relação ao caso, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas

  1. A) A paciente não apresenta necessidade de profilaxia para infecção do trato urinário (ITU) pois teve apenas dois episódios de provável cistite, sem relato de febre ou hematúria.
  2. B) Alcalinização e menor concentração da urina, glicosúria, fatores de risco para infecção urinária, ocorrem devido a um aumento fisiológico no fluxo plasmático renal e na taxa de filtração.
  3. C) As medicações menos seguras para utilização em gestantes com este quadro clínico são penicilinas, cefalosporinas, nitrofurantoína, fosfomicina trometamol e monobactâmicos.
  4. D) O tratamento da gestante com pielonefrite deve ser feito em regime domiciliar, com orientação de aferição da temperatura axilar, controle da diurese, hidratação frequente e utilização oral dos antibióticos.

Pérola Clínica

ITU na gestação: alterações fisiológicas renais (↑ TFG, glicosúria, urina alcalina) ↑ risco de infecção e complicações.

Resumo-Chave

A gravidez induz alterações fisiológicas no trato urinário, como aumento do fluxo plasmático renal e da taxa de filtração glomerular, que podem levar à glicosúria e alcalinização da urina. Essas mudanças, juntamente com a estase urinária e compressão ureteral, predispõem a gestante a infecções do trato urinário, incluindo cistite e pielonefrite.

Contexto Educacional

A Infecção do Trato Urinário (ITU) é a complicação bacteriana mais comum na gravidez, afetando cerca de 10% das gestantes. Sua importância reside no risco aumentado de complicações maternas e fetais, como pielonefrite aguda, parto prematuro, baixo peso ao nascer e sepse. O rastreamento e tratamento adequados são cruciais para a saúde materno-fetal. Fisiologicamente, a gravidez induz dilatação do sistema coletor renal (hidronefrose e hidroureter fisiológicos), estase urinária, diminuição do tônus ureteral e vesical, e alterações na composição da urina (glicosúria, alcalinização). Esses fatores, somados à imunossupressão relativa, facilitam a ascensão bacteriana e a proliferação de microrganismos, tornando a gestante mais suscetível à ITU. O diagnóstico baseia-se em urocultura, mesmo para bacteriúria assintomática. O tratamento da ITU na gestação deve ser imediato e com antibióticos seguros para a gestante e o feto. A escolha do antimicrobiano deve considerar o perfil de sensibilidade local e a segurança na gravidez. Em casos de ITU recorrente ou pielonefrite, a profilaxia antibiótica pode ser necessária para prevenir novas infecções e suas graves consequências.

Perguntas Frequentes

Quais alterações fisiológicas predispõem a gestante à ITU?

Na gestação, há aumento do fluxo plasmático renal e TFG, levando a glicosúria e alcalinização da urina. A dilatação ureteral e estase urinária também contribuem para o maior risco de infecção.

Quando a profilaxia para ITU é indicada na gravidez?

A profilaxia é indicada em gestantes com ITU recorrente (dois ou mais episódios de cistite ou um de pielonefrite) ou bacteriúria assintomática persistente, mesmo após tratamento adequado.

Quais são os antibióticos seguros para tratar ITU na gestação?

Penicilinas, cefalosporinas, nitrofurantoína (evitar no 3º trimestre) e fosfomicina trometamol são geralmente considerados seguros. Sulfametoxazol-trimetoprim deve ser evitado no 1º e 3º trimestres.

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