HOS/BOS - Hospital Oftalmológico de Sorocaba - Banco de Olhos (SP) — Prova 2025
Lactente, sexo masculino, com 15 meses de idade, é atendido em pronto-socorro, com história de febre há dois dias. A mãe da criança relata que a temperatura máxima atingida foi de 38,5 ºC. O exame físico não evidencia nenhuma alteração. A criança apresenta-se ativa e consegue ingerir líquidos normalmente. O médico solicita exame de urina, que evidencia: 15 piócitos por campo, nitrito (+) e estearase (+). Solicita também urocultura qualitativa e quantitativa com antibiograma, embora não haja antecedente de infecção do trato urinário. Considerando o quadro descrito, qual a conduta apropriada nesse caso?
Lactente > 2 meses com ITU febril, bom estado geral e aceitação oral → tratamento ambulatorial com antibiótico oral + USG de vias urinárias.
Em lactentes com mais de 2-3 meses com ITU febril, mas em bom estado geral, sem vômitos e com boa aceitação de líquidos, o tratamento pode ser feito por via oral ambulatorialmente. A investigação por imagem inicial com ultrassonografia de rins e vias urinárias é recomendada para todas as crianças após a primeira ITU febril.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) febril é uma das infecções bacterianas graves mais comuns em lactentes. Em crianças menores de 2 anos, os sintomas são frequentemente inespecíficos, como febre sem foco aparente, irritabilidade e recusa alimentar, tornando o exame de urina essencial na investigação. O diagnóstico é confirmado pela urocultura com contagem de colônias significativa, geralmente >50.000 UFC/mL em amostra coletada por cateterismo vesical. O exame de urina tipo I (EAS) com piócitos, nitrito positivo ou estearase leucocitária positiva é altamente sugestivo. A decisão entre tratamento ambulatorial e hospitalar depende da idade e do estado clínico da criança. Lactentes com mais de 2-3 meses, em bom estado geral, hidratados e capazes de receber medicação oral podem ser tratados em casa com antibióticos como cefalosporinas de terceira geração. Após o primeiro episódio de ITU febril, a investigação por imagem é recomendada para todas as crianças. O exame inicial de escolha é a ultrassonografia de rins e vias urinárias, que busca anomalias anatômicas. A uretrocistografia miccional (UCM), para pesquisa de refluxo vesicoureteral, é geralmente reservada para casos de ITU de repetição ou achados anormais na USG.
Os critérios incluem idade superior a 2-3 meses, bom estado geral, ausência de sinais de toxicidade ou sepse, capacidade de ingerir líquidos e medicamentos por via oral, e garantia de um acompanhamento ambulatorial adequado.
A USG é um exame não invasivo que avalia a anatomia renal, a presença de hidronefrose, abscessos ou outras anomalias estruturais que possam predispor à ITU. É o exame de escolha para a investigação inicial em todas as crianças com ITU febril.
A UCM é indicada para investigar refluxo vesicoureteral (RVU). Geralmente é solicitada após a segunda ITU febril, ou já na primeira se a USG mostrar alterações como hidronefrose, cicatriz renal, ou se o agente etiológico for atípico.
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