UFU/HC - Hospital de Clínicas de Uberlândia (MG) — Prova 2015
Carlos, 6 meses, previamente hígido, é levado ao Pronto-Socorro com febre, discreta hiporexia, mas aceitando as mamadas. Sem outras queixas. Encontra-se um tanto letárgico, mas desperta de forma adequada, febril (39,7 ºC) e seu exame físico é normal. Nasceu com 39 semanas de gestação e foi circuncisado logo após o nascimento. Ultrassom pré-natal normal. Imunizações atualizadas. Você suspeita de provável infecção urinária e antes de iniciar a terapia antimicrobiana, solicita urocultura. Todas as alternativas abaixo representam opções antibacterianas para tratar infecção urinária febril no paciente, EXCETO:
ITU febril em lactentes: Nitrofurantoína NÃO é indicada para pielonefrite devido à baixa concentração renal.
A nitrofurantoína é um antimicrobiano que atinge altas concentrações na urina, mas baixas concentrações no parênquima renal. Por isso, não é eficaz para o tratamento de infecções do trato urinário superior (pielonefrite), que é a principal preocupação em casos de ITU febril em lactentes, onde o risco de lesão renal é maior.
A infecção do trato urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, especialmente em lactentes, com maior prevalência em meninas após o primeiro ano de vida e em meninos não circuncisados. A ITU febril em lactentes é particularmente preocupante, pois pode indicar pielonefrite aguda, uma infecção do parênquima renal que, se não tratada adequadamente, pode levar a cicatrizes renais e, a longo prazo, a hipertensão arterial e doença renal crônica. O diagnóstico precoce e o tratamento eficaz são cruciais para prevenir essas complicações. O diagnóstico de ITU em lactentes baseia-se na urocultura positiva, preferencialmente obtida por cateterismo vesical ou punção suprapúbica para evitar contaminação. Uma vez confirmada a ITU febril, a escolha do antibiótico deve considerar a cobertura para os patógenos mais comuns (principalmente Escherichia coli), a penetração tecidual e a segurança para a idade. A nitrofurantoína, embora eficaz para cistites, não é apropriada para ITU febril devido à sua baixa concentração no parênquima renal, o que a torna ineficaz contra pielonefrite. O tratamento da ITU febril em lactentes geralmente envolve antibióticos sistêmicos por via oral ou intravenosa, dependendo da gravidade e da resposta clínica. Cefalosporinas de segunda ou terceira geração, sulfametoxazol-trimetoprim e amoxicilina-clavulanato são opções comuns. O acompanhamento pós-tratamento, incluindo exames de imagem (ultrassonografia renal e uretrocistografia miccional), é fundamental para investigar anomalias do trato urinário e prevenir recorrências, garantindo a saúde renal a longo prazo.
Em lactentes, os sinais de ITU febril podem ser inespecíficos, incluindo febre sem foco aparente, irritabilidade, hiporexia, vômitos, letargia ou icterícia prolongada. A suspeita deve ser alta em qualquer lactente com febre sem causa óbvia.
A nitrofurantoína não é indicada para ITU febril porque atinge concentrações terapêuticas apenas na bexiga, sendo ineficaz para tratar infecções do parênquima renal (pielonefrite), que é a forma grave da ITU febril e que pode levar a cicatrizes renais.
As opções de antibióticos para ITU febril em lactentes incluem cefalosporinas de segunda ou terceira geração (como cefuroxima, cefixima, ceftriaxona), sulfametoxazol-trimetoprim e amoxicilina-clavulanato, dependendo da gravidade e do perfil de sensibilidade local.
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