Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Menina com dois anos de idade, com quadro de febre e diminuição da aceitação alimentar há 3 dias. Ao exame físico: Bom estado geral, febril, sem sinais localizatórios. Urina tipo I: leucócitos 110.000/mL; hemácias 20.000/mL; nitrito positivo. Coletada urocultura. Qual a melhor opção terapêutica neste momento?
ITU febril em criança > 2 anos com bom estado geral → ATB oral e acompanhamento.
Em crianças maiores de 2 anos com suspeita de ITU febril e bom estado geral, a antibioticoterapia oral é a conduta inicial preferencial, desde que haja boa aceitação e possibilidade de acompanhamento. A urocultura deve ser coletada antes do início do antibiótico e o resultado guiará o ajuste terapêutico, se necessário.
A Infecção do Trato Urinário (ITU) é uma das infecções bacterianas mais comuns na infância, com maior incidência em meninas. A ITU febril, especialmente em crianças pequenas, é preocupante devido ao risco de pielonefrite aguda e subsequente cicatriz renal, que pode levar a hipertensão arterial e doença renal crônica. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para prevenir essas complicações. O diagnóstico de ITU em crianças baseia-se na coleta adequada de urina (saco coletor em lactentes não é ideal, preferir cateterismo vesical ou punção suprapúbica; jato médio em crianças maiores) e na análise da urina tipo I (leucocitúria, nitrito positivo, esterase leucocitária) e urocultura. A urocultura é o padrão-ouro para confirmar o diagnóstico e identificar o agente etiológico. Em crianças febris, a presença de nitrito positivo e leucocitúria significativa aumenta muito a probabilidade de ITU. O tratamento da ITU febril em crianças deve ser iniciado empiricamente após a coleta da urocultura. Em crianças maiores de 2 meses com bom estado geral, a antibioticoterapia oral é eficaz e segura, com opções como cefalosporinas de segunda ou terceira geração. A via endovenosa é reservada para crianças menores de 2 meses, com sinais de toxicidade, vômitos persistentes ou falha terapêutica oral. O acompanhamento é essencial para garantir a adesão e a resolução da infecção, além de investigar possíveis malformações do trato urinário.
Em crianças maiores de 2 meses com bom estado geral, sem sinais de toxicidade, desidratação ou vômitos persistentes, e com boa aceitação oral, a antibioticoterapia oral pode ser iniciada.
O nitrito positivo na urina tipo I é um forte indicativo de infecção bacteriana por germes que convertem nitrato em nitrito (principalmente Gram-negativos). Sua positividade aumenta a probabilidade de ITU, embora um resultado negativo não a exclua.
A ultrassonografia é recomendada para todas as crianças com ITU febril após o primeiro episódio, geralmente após a resolução da fase aguda, para investigar anomalias anatômicas ou funcionais que possam predispor a infecções recorrentes.
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