Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2020
Homem de 80 anos de idade vem ao pronto socorro com disúria, febre e polaciúria. Ao exame: bom estado geral, corado, eupneico, orientado PA=13/8mmHg; FC=80bpm; FR=12ipm; Glasgow=15; tempo de enchimento capilar=2 segundos. Trouxe cultura de urina com Escherichia coli ESBL. Ele teve infecção com a mesma bactéria há 4 meses e 2 meses antes, e foi tratado com nitrofurantoína e ciprofloxacina com melhora do quadro clínico. Qual o tratamento de escolha e o tempo de tratamento?
ITU recorrente em homem idoso com E. coli ESBL → tratamento prolongado com antibiótico eficaz (ex: Levofloxacina 30 dias, se sensível).
Infecções do trato urinário (ITU) em homens, especialmente idosos, são consideradas complicadas e requerem tratamento mais prolongado. A presença de Escherichia coli produtora de ESBL (Extended-Spectrum Beta-Lactamase) indica resistência a muitas classes de antibióticos, incluindo cefalosporinas e, frequentemente, fluoroquinolonas. No entanto, se houver sensibilidade documentada à levofloxacina, esta pode ser uma opção. O histórico de recorrência e falha de tratamentos anteriores reforça a necessidade de um esquema terapêutico mais robusto e prolongado, como 30 dias.
Infecções do Trato Urinário (ITU) em homens, particularmente em idosos, são sempre classificadas como complicadas devido a fatores anatômicos e fisiológicos que predispõem a infecções mais graves e recorrentes. A presença de uropatógenos resistentes, como Escherichia coli produtora de ESBL (Extended-Spectrum Beta-Lactamase), complica ainda mais o manejo, pois esses microrganismos são resistentes a uma ampla gama de antibióticos comuns, incluindo penicilinas e cefalosporinas de terceira geração. O diagnóstico de ITU em homens requer uma investigação mais aprofundada para identificar fatores predisponentes, como hiperplasia prostática benigna, estenoses uretrais ou cálculos renais. O tratamento empírico deve ser guiado por padrões de resistência locais, mas a cultura de urina com antibiograma é essencial para direcionar a terapia. Para cepas ESBL, as opções terapêuticas são mais limitadas, e a escolha do antibiótico deve ser baseada na sensibilidade documentada. A duração do tratamento é um ponto crítico. Enquanto ITUs não complicadas em mulheres podem ser tratadas em 3-7 dias, ITUs complicadas em homens geralmente exigem cursos mais longos, de 10 a 14 dias, ou até 4-6 semanas em casos de prostatite ou infecções recorrentes com fatores de risco persistentes. A recorrência da infecção no paciente da questão, mesmo após tratamentos anteriores, reforça a necessidade de um regime prolongado e eficaz, como a levofloxacina por 30 dias, assumindo sensibilidade. Residentes devem estar cientes dessas particularidades para otimizar o tratamento e prevenir futuras recorrências.
As ITUs em homens são consideradas complicadas devido à anatomia do trato urinário masculino, que é mais longa e menos propensa a infecções ascendentes. A presença de ITU em homens geralmente sugere uma anormalidade estrutural ou funcional subjacente, como hiperplasia prostática benigna, que predispõe à infecção e recorrência.
As opções de tratamento para ITU por E. coli ESBL incluem carbapenêmicos (como ertapeném), fosfomicina, nitrofurantoína (para cistite não complicada, se sensível), e, em alguns casos, fluoroquinolonas (como levofloxacina ou ciprofloxacina) ou aminoglicosídeos, se houver sensibilidade comprovada. A escolha depende da gravidade, localização da infecção e perfil de sensibilidade.
A duração ideal do tratamento para ITU complicada em homens varia, mas geralmente é mais longa do que para mulheres. Recomenda-se de 10 a 14 dias para cistite complicada e 14 a 21 dias para pielonefrite. Em casos de prostatite bacteriana ou ITUs recorrentes com fatores de risco, o tratamento pode se estender por 4 a 6 semanas ou mais, como os 30 dias sugeridos na questão.
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