UNESC - Centro Universitário do Espírito Santo — Prova 2022
Um paciente de 60 anos submetido a hernioplastia a Lichtenstein. No décimo dia de pós-operatório ele procura pronto socorro devido febre 38,7°C, ferida operatória com sinais flogísticos e saída de secreção purulenta. Ele está com frequência cardíaca de 106 bpm, frequência respiratória de 32 irpm e pressão arterial de 80/60 mmHg. Ao retirar um ponto da ferida operatória notou-se saída de pus com gás de permeio. Após a ressucitação volêmica a conduta adotada deve ser:
Infecção grave de tela com gás e sinais de choque → retirada da tela, desbridamento, ATB.
A presença de sinais de infecção grave, como febre, sinais flogísticos, secreção purulenta com gás e instabilidade hemodinâmica após hernioplastia com tela, sugere uma infecção profunda ou até fasceíte necrosante. Nesses casos, a retirada da tela e o desbridamento cirúrgico são mandatórios para controlar o foco infeccioso.
As infecções de sítio cirúrgico são complicações potenciais de qualquer procedimento, e na hernioplastia com tela (como a Lichtenstein), a infecção da prótese é uma complicação grave. A tela, sendo um material protético, pode servir como nicho para bactérias, dificultando a erradicação da infecção apenas com antibióticos. O quadro clínico apresentado (febre, sinais flogísticos, secreção purulenta com gás, instabilidade hemodinâmica) é altamente sugestivo de uma infecção grave, possivelmente uma fasceíte necrosante ou uma infecção profunda da tela. A presença de gás na secreção é um sinal de infecção por bactérias produtoras de gás, que frequentemente são agressivas. Nessas situações, a conduta é agressiva e multidisciplinar. A ressuscitação volêmica é a primeira medida para estabilizar o paciente em choque. Em seguida, a intervenção cirúrgica é imperativa, com a retirada da tela infectada, desbridamento extenso de todo o tecido desvitalizado e lavagem abundante da loja. A antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro deve ser iniciada imediatamente e ajustada conforme cultura e antibiograma. Tentar salvar a tela ou apenas drenar sem removê-la em casos graves é um erro que pode levar à progressão da sepse e piora do prognóstico.
Sinais incluem febre persistente, dor intensa, eritema, calor, edema, secreção purulenta (especialmente com gás), e instabilidade hemodinâmica, sugerindo sepse ou fasceíte necrosante, que é uma emergência cirúrgica.
A tela atua como corpo estranho, formando um biofilme que dificulta a erradicação da infecção pelos antibióticos. Em casos graves, sua remoção é essencial para controlar o foco infeccioso e permitir a cicatrização dos tecidos.
A antibioticoterapia endovenosa de amplo espectro é crucial para combater a infecção sistêmica e local, mas deve ser associada à remoção da tela e desbridamento cirúrgico para ser eficaz em infecções graves e profundas.
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