Infecção Superficial de Sítio Cirúrgico: Diagnóstico e Manejo

SES-PB - Secretaria de Estado de Saúde da Paraíba — Prova 2024

Enunciado

Você está de plantão em uma emergência de hospital geral de pequeno porte em cidade no interior do estado e atende uma paciente de 25 anos que foi submetida a uma apendicectomia aberta há 12 dias. Ela se queixa de dor local e abaulamento da incisão cirúrgica. Durante o exame, é notado que os pontos cirúrgicos ainda estão presentes, com hiperemia ao redor destes, e abaulamento da incisão, doloroso à palpação. Não há sinais aparentes de celulite. Foi feita a retirada dos pontos cirúrgicos com a abertura da porção lateral da incisão, momento em que houve a drenagem de secreção fluida e clara, com melhora do desconforto. Com relação ao quadro acima, qual o diagnóstico deve ser anotado em prontuário?

Alternativas

  1. A) Seroma sem infecção de sítio cirúrgico
  2. B) Infecção superficial de sítio cirúrgico
  3. C) Infecção profunda de sítio cirúrgico
  4. D) Infecção de sítio cirúrgico órgão/cavidade

Pérola Clínica

Hiperemia + abaulamento + secreção fluida clara pós-cirurgia → Seroma ou ISC superficial (se houver sinais inflamatórios).

Resumo-Chave

A presença de hiperemia e abaulamento da incisão cirúrgica, com drenagem de secreção fluida e clara após a retirada dos pontos, sem sinais de celulite extensa, sugere uma infecção superficial de sítio cirúrgico ou um seroma infectado, que pode evoluir para infecção. A ausência de pus claro diferencia de infecção purulenta clássica, mas a hiperemia e dor indicam processo inflamatório/infeccioso.

Contexto Educacional

A Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC) é uma das complicações pós-operatórias mais comuns, com morbidade significativa. A classificação da ISC é crucial para o manejo adequado, sendo dividida em superficial (pele e subcutâneo), profunda (fáscia e músculo) e de órgão/cavidade. O caso descrito, com hiperemia, abaulamento e drenagem de secreção fluida clara após retirada de pontos, sem sinais de celulite extensa, se encaixa na definição de ISC superficial, que pode ser um seroma infectado ou uma celulite localizada. O diagnóstico de ISC superficial é clínico, baseado na presença de sinais inflamatórios locais (dor, calor, rubor, edema) e/ou drenagem de secreção purulenta ou não purulenta, mas com evidência de infecção. A apendicectomia, especialmente a aberta, tem risco inerente de ISC. A diferenciação entre seroma estéril e seroma infectado ou ISC superficial é importante, sendo que a presença de hiperemia e dor sugere um componente infeccioso. O tratamento da ISC superficial geralmente envolve a abertura da ferida para drenagem, desbridamento de tecidos desvitalizados e curativos. A antibioticoterapia sistêmica pode ser necessária em casos de celulite progressiva, sinais sistêmicos de infecção ou imunocomprometimento do paciente. A prevenção inclui técnicas assépticas rigorosas, profilaxia antibiótica adequada e controle de fatores de risco do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para classificar uma Infecção de Sítio Cirúrgico como superficial?

A ISC superficial envolve apenas pele e tecido subcutâneo da incisão. Caracteriza-se por dor, calor, rubor, edema e/ou drenagem de secreção purulenta (ou não purulenta, mas com outros sinais de infecção) dentro de 30 dias da cirurgia.

Como diferenciar um seroma de uma ISC superficial?

Um seroma é um acúmulo de líquido seroso estéril. Se houver sinais inflamatórios como hiperemia, dor e abaulamento, mesmo com secreção clara, a possibilidade de infecção deve ser considerada, especialmente se houver melhora após a drenagem, indicando um foco infeccioso localizado.

Qual a conduta inicial para uma suspeita de ISC superficial?

A conduta inicial inclui a abertura de pontos e exploração da ferida para drenagem da secreção, desbridamento de tecidos desvitalizados e, se necessário, coleta de cultura. Antibioticoterapia pode ser indicada dependendo da extensão e sinais sistêmicos.

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