AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2025
Paciente masculino, 27 anos, encontra-se no 8º dia de pós-operatório de apendicectomia convencional por apendicite aguda com abscesso localizado. Retorna no pronto socorro com queixa de dor no local da incisão. Ao exame físico o paciente encontra-se hidratado, eupneico e com o abdome plano, flácido e doloroso a palpação na fossa ilíaca direita, ao redor da incisão. Sem sinais de peritonismo. A ferida operatória mostra-se com edema localizado, sem hiperemia e com saída de secreção purulenta a expressâo. FC: 88 bpm. PA: 110x 80mmHg. FR:14mpm.T:36,3°C. Em relação a este caso clínico, assinale a assertiva correta.
Infecção de sítio cirúrgico superficial (pele/subcutâneo) → Drenagem local é a base; ATB indicado apenas com celulite extensa (>5cm) ou sinais sistêmicos.
O tratamento primário para infecção de sítio cirúrgico superficial com coleção purulenta é a abertura da incisão e drenagem. Antibióticos são reservados para casos com repercussão sistêmica (febre, taquicardia, leucocitose) ou celulite significativa, pois a remoção do foco infeccioso é a medida mais importante.
A Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais comuns no pós-operatório, representando um desafio diagnóstico e terapêutico. Ela é classificada com base na profundidade do acometimento em superficial (pele e subcutâneo), profunda (fáscia e músculo) e de órgão/espaço. A maioria das ISCs se manifesta entre o 5º e o 10º dia de pós-operatório. Cirurgias contaminadas, como apendicite com abscesso, apresentam maior risco. O diagnóstico da ISC superficial é eminentemente clínico, baseado em sinais flogísticos locais como dor, calor, rubor, edema e drenagem purulenta pela incisão. No caso apresentado, o paciente está afebril, hemodinamicamente estável e sem peritonismo, com uma coleção purulenta localizada na ferida, caracterizando uma ISC superficial sem repercussão sistêmica. O pilar do tratamento para coleções purulentas é a remoção do foco infeccioso. Portanto, a conduta correta é a abertura da incisão e a drenagem do abscesso. A antibioticoterapia não é a primeira linha de tratamento para ISCs superficiais localizadas e sem toxicidade sistêmica. Seu uso é reservado para casos com celulite significativa ou evidência de resposta inflamatória sistêmica. A escolha do antibiótico, quando indicado, deve cobrir os patógenos mais prováveis, que em cirurgias colorretais incluem Gram-negativos e anaeróbios.
Os sinais clássicos incluem dor, edema e eritema localizados na incisão, podendo haver drenagem de secreção purulenta. A infecção é considerada superficial quando afeta apenas pele e tecido subcutâneo, sem acometer fáscias ou músculos.
A conduta padrão é a abertura de parte da incisão, exploração digital ou com pinça para desfazer lojas, drenagem completa do material purulento e irrigação com soro fisiológico. A ferida é então mantida aberta para cicatrização por segunda intenção ou fechamento primário tardio.
A antibioticoterapia está indicada na presença de sinais de infecção sistêmica (febre > 38°C, taquicardia > 100 bpm, leucocitose), em pacientes imunossuprimidos, ou quando há uma celulite extensa (geralmente definida como > 5 cm a partir da borda da incisão).
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