Infecção Sítio Cirúrgico Profundo: Diagnóstico Pós-Operatório

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2024

Enunciado

Um paciente com 68 anos, submetido a hemicolectomia esquerda por neoplasia com anastomose terminoterminal, sem intercorrências, refere, no quinto dia de pós-operatório, dor leve abdominal.Ao exame físico, apresenta-se hidratado, com temperatura axilar de 38,1 °C, frequência cardíaca de 96 bpm, pressão arterial de 100 X 70 mmHg, frequência respiratória de 20 irpm. Abdome distendido 1+/4+, ruídos hidroaéreos presentes, timpanismo generalizado à percussão e levemente doloroso à palpação profunda generalizada. Aparelhos cardiovascular e respiratório sem alterações. Ferida operatória limpa, sem sinais flogísticos.Nesse caso, qual é a origem mais provável do quadro de febre apresentado pelo paciente?

Alternativas

  1. A) Atelectasia.
  2. B) Infecção urinária.
  3. C) Abcesso subfrênico.
  4. D) Infecção do sítio cirúrgico profundo. 

Pérola Clínica

Febre + dor/distensão abdominal no 5° PO de cirurgia colorretal com anastomose → Suspeitar de infecção profunda (ex: abscesso, deiscência anastomótica).

Resumo-Chave

No 5° dia de pós-operatório de cirurgia abdominal com anastomose, febre e dor abdominal, mesmo que leve, devem levantar a suspeita de infecção do sítio cirúrgico profundo, como um abscesso intra-abdominal ou deiscência anastomótica.

Contexto Educacional

A infecção do sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais comuns em cirurgias, e a ISC profunda, que envolve tecidos moles profundos, fáscia e músculo, ou órgãos/espaços, é particularmente preocupante após cirurgias colorretais. A incidência varia, mas pode ser significativa, impactando a morbimortalidade e o tempo de internação. A fisiopatologia da ISC profunda em cirurgias colorretais frequentemente envolve contaminação bacteriana durante o procedimento ou, mais gravemente, deiscência da anastomose, que permite o extravasamento de conteúdo intestinal para a cavidade abdominal, levando à formação de abscessos. No 5º dia de pós-operatório, febre, dor abdominal e distensão são sinais clássicos de alerta. O diagnóstico requer alta suspeição clínica e exames complementares como tomografia computadorizada de abdome, que pode identificar coleções líquidas ou abscessos. O tratamento geralmente envolve drenagem da coleção (percutânea ou cirúrgica) e antibioticoterapia de amplo espectro, cobrindo germes entéricos. A prevenção é fundamental, com técnicas cirúrgicas adequadas e profilaxia antibiótica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para infecção do sítio cirúrgico profundo após cirurgia abdominal?

Sinais incluem febre persistente ou tardia, dor abdominal crescente ou localizada, distensão abdominal, taquicardia e, em casos graves, sinais de sepse.

Por que a deiscência anastomótica é uma preocupação após hemicolectomia?

A deiscência anastomótica é uma complicação grave que pode levar à formação de abscessos intra-abdominais, peritonite e sepse, sendo uma causa comum de infecção profunda.

Como diferenciar infecção profunda de outras causas de febre pós-operatória?

A febre que surge após o 3º-5º dia de PO, associada a sintomas abdominais (dor, distensão, alteração de RHA), sugere infecção intra-abdominal, enquanto atelectasia geralmente ocorre mais precocemente.

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