UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2023
Paciente submetido a herniorrafia incisional mediana infraumbilical, com tela, há 20 dias foi trazido à Emergência por febre de 38,5º C. À admissão, a frequência cardíaca era de 110 bpm, e a pressão arterial de 100/60 mmHg. Apresentava eritema intenso ao redor da ferida operatória, dor muito forte à palpação, com drenagem de secreção purulenta em moderado volume à expressão manual. Qual o tratamento mais indicado?
Infecção profunda de sítio cirúrgico com tela e sinais sistêmicos → Exploração cirúrgica, debridamento, remoção da tela e ATB.
A presença de sinais sistêmicos de infecção (febre, taquicardia, hipotensão) associada a eritema intenso, dor e drenagem purulenta em uma hérnia com tela sugere infecção profunda. Nesses casos, a tela atua como corpo estranho e foco de infecção, exigindo sua remoção para controle do quadro.
Infecções de sítio cirúrgico (ISC) são complicações comuns, e quando ocorrem em presença de material protético, como telas para herniorrafia, o manejo se torna mais complexo. A infecção de uma tela cirúrgica é uma condição grave que pode levar a sepse e falha do tratamento se não abordada adequadamente, exigindo uma abordagem agressiva. O diagnóstico de infecção de tela é clínico, com sinais de inflamação local (dor, eritema, calor, drenagem purulenta) e frequentemente sistêmicos (febre, taquicardia, hipotensão), indicando uma infecção profunda. A tela, sendo um corpo estranho, serve como nicho para formação de biofilmes bacterianos, dificultando a erradicação da infecção apenas com antibióticos. O tratamento mais indicado para infecção de tela cirúrgica, especialmente com sinais sistêmicos, é a exploração cirúrgica, debridamento de tecidos desvitalizados, coleta de secreção para cultura e, crucialmente, a remoção da tela. A antibioticoterapia de amplo espectro deve ser iniciada empiricamente e ajustada conforme o resultado da cultura e antibiograma, complementando a intervenção cirúrgica.
Sinais de infecção profunda incluem febre, taquicardia, hipotensão, dor intensa, eritema extenso, calor e drenagem purulenta da ferida, especialmente se houver envolvimento de estruturas mais profundas ou próteses, como telas cirúrgicas.
A tela atua como um corpo estranho, formando um biofilme que impede a ação eficaz dos antibióticos e a resolução da infecção. Sua remoção é geralmente necessária para erradicar o foco infeccioso e permitir a cicatrização.
A conduta inicial envolve estabilização do paciente, coleta de culturas (secreção, sangue), início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro e planejamento para exploração cirúrgica com debridamento de tecidos desvitalizados e remoção da tela.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo