HC ICC - Hospital do Câncer - Instituto do Câncer do Ceará — Prova 2026
Dentre os possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de infecções de sítio cirúrgico seguintes: I. Ligados ao paciente: obesidade, diabetes, extremos de idade. II. Ligados ao ambiente: esterilização ou desinfecção inadequada. III. Ligados ao tratamento: drenos, cirurgia de emergência, hipotermia. IV. Ligados ao tratamento: tempo operatório prolongado, antissepsia cutânea inadequada. Estão corretos:
ISC = Fatores do paciente (DM, obesidade) + Ambiente (esterilização) + Tratamento (drenos, hipotermia).
O risco de infecção de sítio cirúrgico é determinado por uma tríade: condições clínicas do paciente, rigor técnico do ambiente hospitalar e variáveis do manejo terapêutico.
A Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais comuns e onerosas no ambiente hospitalar. Sua prevenção baseia-se na identificação e mitigação de fatores de risco. A classificação clássica divide esses riscos em três pilares: o hospedeiro (paciente), o meio (ambiente) e o procedimento (tratamento). Enquanto alguns fatores como a idade não são modificáveis, outros como o controle da glicemia, a cessação do tabagismo pré-operatório e a manutenção da normotermia são alvos fundamentais de protocolos de segurança, como o 'Checklist de Cirurgia Segura' da OMS. É importante notar que a presença de drenos, embora necessária em certas situações, deve ser minimizada e o dreno deve ser removido o mais precocemente possível, pois sua permanência está diretamente correlacionada com a colonização bacteriana. Da mesma forma, a distinção entre cirurgias eletivas e de emergência é vital, dado que o risco de infecção em procedimentos de urgência é inerentemente maior devido à falta de preparo prévio do paciente e à natureza muitas vezes contaminada da patologia de base.
Os fatores ligados ao paciente (intrínsecos) incluem condições que comprometem a resposta imune ou a cicatrização. A obesidade reduz a perfusão do tecido subcutâneo; o diabetes mellitus, especialmente com hiperglicemia perioperatória, prejudica a função dos neutrófilos; e os extremos de idade (neonatos e idosos) possuem menor reserva imunológica. Outros fatores relevantes são o tabagismo, que causa hipóxia tecidual por vasoconstrição, e a desnutrição, que limita a síntese proteica necessária para a integridade da ferida.
Fatores ligados ao tratamento (extrínsecos) incluem o uso de drenos, que podem servir como porta de entrada para patógenos, e a realização de cirurgias de emergência, onde a estabilização do paciente e o preparo da pele podem ser subótimos. A hipotermia perioperatória é um fator crítico, pois causa vasoconstrição periférica, reduzindo a oferta de oxigênio aos tecidos e inibindo a atividade bactericida das células de defesa. O tempo operatório prolongado também aumenta a exposição dos tecidos e a fadiga da equipe, elevando o risco de quebras de técnica asséptica.
Os fatores ligados ao ambiente referem-se principalmente à infraestrutura e processos do centro cirúrgico. Isso inclui a esterilização rigorosa do instrumental cirúrgico e a desinfecção adequada das superfícies. Falhas no processamento de materiais ou na manutenção do fluxo de ar (pressão positiva e trocas de ar) podem introduzir microrganismos exógenos no campo operatório. A adesão estrita aos protocolos de limpeza e monitoramento biológico da esterilização é a base para minimizar esses riscos extrínsecos.
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