SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022
Um jovem de 28 anos, atleta de natação, será submetido a abdominoplastia após perder 45 kg por cirurgia bariátrica, há 3 anos, e mudança em hábitos de vida. Qual das seguintes medidas apresenta maior impacto na prevenção de infecção do sítio cirúrgico para esse paciente?
Prevenção ISC: Tempo cirúrgico ↓ + uso criterioso eletrocautério = Menor risco infecção.
A prevenção de infecção do sítio cirúrgico (ISC) é multifatorial. Em pacientes pós-bariátrica, que podem ter maior risco devido à flacidez de pele e áreas de umidade, minimizar o tempo de exposição tecidual e reduzir o dano térmico pelo eletrocautério são medidas cruciais para preservar a viabilidade tecidual e a resposta imune local.
A infecção do sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais comuns e onerosas em cirurgia, impactando significativamente a morbidade e mortalidade dos pacientes, além de prolongar o tempo de internação. Em pacientes submetidos a abdominoplastia após grande perda de peso, como os pós-bariátrica, o risco de ISC pode ser elevado devido a fatores como grande área de dissecção, excesso de pele e tecido adiposo, e potencial comprometimento da vascularização. A prevenção da ISC é uma abordagem multifacetada que envolve desde o pré-operatório (otimização nutricional, controle glicêmico, banho com clorexidina) até o intraoperatório e pós-operatório. No contexto intraoperatório, medidas como a antibioticoprofilaxia no momento correto, técnica cirúrgica asséptica rigorosa, hemostasia meticulosa e manuseio delicado dos tecidos são cruciais. Especificamente, a redução do tempo cirúrgico minimiza a exposição tecidual e a contaminação, enquanto o uso criterioso do eletrocautério evita danos térmicos excessivos que podem comprometer a viabilidade dos tecidos e criar um ambiente propício para infecções. Outras medidas incluem a manutenção da normotermia, controle da glicemia e a não utilização de drenos de rotina, a menos que haja indicação específica, pois drenos podem ser portas de entrada para infecções.
Pacientes pós-bariátrica submetidos a abdominoplastia podem ter maior risco devido à presença de excesso de pele, áreas de maceração, maior espessura do panículo adiposo, e potenciais deficiências nutricionais, além dos fatores gerais como tempo cirúrgico prolongado e uso excessivo de eletrocautério.
Um tempo cirúrgico mais curto reduz a exposição dos tecidos ao ambiente cirúrgico, minimiza a perda de calor e a desidratação tecidual, e diminui a chance de contaminação bacteriana, preservando a integridade da barreira cutânea e a resposta imune local.
O eletrocautério, embora útil para hemostasia, causa dano térmico aos tecidos. O uso excessivo ou inadequado pode levar à necrose tecidual, formação de seroma e hematoma, que são meios de cultura ideais para bactérias, aumentando o risco de infecção.
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