Infecção do Sítio Cirúrgico: Fatores de Risco e Prevenção

FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2024

Enunciado

Sobre as infecções do sítio cirúrgico (ISC), é incorreto afirmar:

Alternativas

  1. A) A idade avançada (geralmente ≥ 65 anos) é um fator de risco para desfechos desfavoráveis provenientes de infecções.
  2. B) A hiperglicemia induz à disfunção da imunidade celular, e é um reconhecido fator de risco para a ocorrência de infecções. Mesmo a hiperglicemia transitória está relacionada a um risco elevado de ISC.
  3. C) A hipóxia tecidual parece predispor a ocorrência de ISC e a administração de oxigênio suplementar (FiO2 = 0,8) reduz o risco de ISC após cirurgia eletiva.
  4. D) A maioria das ISCs é provocada pela flora bacteriana da própria pele, que é inoculada na incisão durante o procedimento cirúrgico. Portanto, os patógenos mais frequentemente envolvidos nas ISCs são os cocos gram-positivos (staphylococcus epidermidis, s. aureus, e enterococcus spp).
  5. E) Fatores relacionados às características do hospedeiro contribuem de forma importante para o risco de ISC, incluindo idade avançada, obesidade, desnutrição, diabetes mellito e hipercolesterolemia.

Pérola Clínica

Hipercolesterolemia NÃO é fator de risco primário para Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC).

Resumo-Chave

A hipercolesterolemia não é classicamente reconhecida como um fator de risco independente e direto para infecções do sítio cirúrgico (ISC), ao contrário de outros fatores do hospedeiro como idade avançada, obesidade, desnutrição e diabetes mellitus, que comprovadamente comprometem a resposta imune e a cicatrização.

Contexto Educacional

As infecções do sítio cirúrgico (ISC) representam uma das complicações mais comuns e onerosas na prática cirúrgica, impactando negativamente a morbidade, mortalidade e custos hospitalares. A compreensão dos fatores de risco é fundamental para a implementação de estratégias de prevenção eficazes. Fatores relacionados ao hospedeiro, como idade avançada, obesidade, desnutrição e diabetes mellitus, são bem estabelecidos por comprometerem a resposta imune e a capacidade de cicatrização. A hiperglicemia, mesmo que transitória, é um fator de risco crítico, pois induz disfunção da imunidade celular e prejudica a microcirculação. A hipóxia tecidual também predispõe à ISC, e a administração de oxigênio suplementar (FiO2 de 0,8) no período perioperatório é uma medida que pode reduzir esse risco em cirurgias eletivas. A maioria das ISCs é causada pela flora endógena do paciente, principalmente bactérias da pele, como Staphylococcus aureus e Staphylococcus epidermidis. É importante ressaltar que, embora a hipercolesterolemia seja uma comorbidade comum e um fator de risco cardiovascular, ela não é classicamente listada como um fator de risco direto e independente para ISC, ao contrário das outras condições mencionadas. A prevenção das ISCs envolve uma abordagem multifacetada, incluindo otimização pré-operatória, profilaxia antibiótica, controle glicêmico, normotermia e técnicas cirúrgicas assépticas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para infecção do sítio cirúrgico?

Os principais fatores de risco incluem idade avançada, obesidade, desnutrição, diabetes mellitus (especialmente hiperglicemia), tabagismo, imunossupressão, hipóxia tecidual e duração prolongada da cirurgia.

Como a hiperglicemia afeta o risco de ISC?

A hiperglicemia compromete a função dos neutrófilos e macrófagos, prejudica a cicatrização de feridas e a resposta imune, aumentando significativamente a suscetibilidade a infecções, mesmo que transitória.

Quais medidas podem reduzir o risco de ISC no intraoperatório?

Medidas incluem profilaxia antibiótica adequada, controle rigoroso da glicemia, manutenção da normotermia, otimização da oxigenação tecidual (ex: FiO2 0.8), técnica asséptica rigorosa e manuseio delicado dos tecidos.

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