INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2013
Homem com 35 anos de idade, no 3° dia pós-operatório de apendicectomia, encontra-se internado em enfermaria coletiva de pequeno hospital secundário. O achado cirúrgico foi de uma apendicite aguda em fase gangrenosa. Foi iniciada a antibioticoterapia com administração de gentamicina e metronidazol e a alimentação via oral com boa aceitação, após a eliminação de flatos e fezes. Não apresentou febre. Ao exame, a ferida cirúrgica encontra-se hiperemiada, discretamente abaulada e com saída de material purulento. A conduta para esse caso, além do esclarecimento ao paciente, é:
Infecção de ferida operatória superficial → Drenagem (abertura de pontos) + Curativos + Manter ATB se indicado pela patologia base.
Em casos de apendicite gangrenosa (cirurgia contaminada), a infecção de parede é comum. O tratamento fundamental é a drenagem mecânica da secreção purulenta através da abertura da incisão.
A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais frequentes em cirurgia geral, especialmente em procedimentos classificados como contaminados ou infectados. Na apendicite aguda gangrenosa, a carga bacteriana local é alta, o que eleva o risco de translocação e contaminação da parede abdominal durante a remoção do espécime. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado na inspeção da ferida operatória entre o 3º e 7º dia pós-operatório. O tratamento padrão-ouro para coleções purulentas incisionais é a drenagem. Isso envolve a retirada de alguns ou todos os pontos da pele, exploração digital cuidadosa para desfazer lojas de pus e irrigação com solução salina. O uso de antibióticos em ISC superficial isolada é frequentemente desnecessário se não houver celulite extensa ou sinais sistêmicos; contudo, como o paciente em questão já trata uma apendicite gangrenosa, a manutenção do esquema venoso (Gentamicina e Metronidazol) é mandatória para o controle da infecção peritoneal prévia.
A abertura da ferida operatória (retirada de pontos) está indicada sempre que houver sinais clínicos de coleção purulenta, como abaulamento, hiperemia localizada, dor desproporcional ou saída espontânea de pus. Em cirurgias contaminadas ou infectadas, como na apendicite gangrenosa, a vigilância deve ser rigorosa no pós-operatório imediato. A drenagem é o pilar do tratamento para infecções incisionais superficiais, permitindo a limpeza do leito e cicatrização por segunda intenção ou fechamento tardio.
Não necessariamente. Se o paciente já está em uso de antibioticoterapia para tratar a causa primária (como uma apendicite gangrenosa ou perfurada) e apresenta boa evolução clínica sistêmica (ausência de febre, aceitação de dieta, trânsito intestinal preservado), a infecção de parede é considerada uma complicação local. Nesses casos, mantém-se o esquema atual e prioriza-se a drenagem local. A troca só é considerada se houver sinais de sepse ou falha na resposta ao tratamento da infecção intracavitária.
A infecção incisional superficial envolve apenas a pele e o tecido subcutâneo. A infecção incisional profunda atinge tecidos moles mais profundos, como fáscia e camadas musculares. Já a infecção de órgão/espaço envolve qualquer parte da anatomia aberta ou manipulada durante a cirurgia (ex: abscesso intracavitário). O caso clínico descreve uma infecção superficial, pois há abaulamento e pus na ferida, mas o paciente está clinicamente bem, sem sinais de peritonite ou abscesso profundo.
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