FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2023
Com relação às infecções de sítio cirúrgico, é correto afirmar:
Febre pós-operatória ≠ Infecção de sítio cirúrgico; muitas causas não infecciosas.
A febre no pós-operatório é um achado comum e, na maioria dos casos, não é causada por infecção do sítio cirúrgico. Existem diversas outras causas para a febre pós-operatória, como atelectasia, reações transfusionais, tromboflebite, infecções urinárias ou pneumonia, que devem ser investigadas antes de focar exclusivamente na ferida operatória.
As infecções de sítio cirúrgico (ISC) representam uma das complicações mais comuns e onerosas da cirurgia, impactando significativamente a morbidade, mortalidade e custos hospitalares. Elas são classificadas em superficiais (pele e tecido subcutâneo), profundas (fáscia e músculo) e de órgão/espaço (qualquer parte da anatomia, exceto a incisão, manipulada durante a cirurgia). A prevenção da ISC é multifatorial, envolvendo desde a preparação pré-operatória do paciente até a técnica cirúrgica e os cuidados pós-operatórios. A duração do procedimento cirúrgico é, sim, um fator de risco bem estabelecido para ISC, pois quanto maior o tempo de exposição dos tecidos, maior a chance de contaminação e proliferação bacteriana. As infecções superficiais são as mais frequentes, embora as profundas e de órgão/espaço sejam mais graves. A profilaxia antibiótica sistêmica não é indicada em todas as cirurgias, mas sim em procedimentos com risco significativo de infecção, seguindo diretrizes específicas para cada tipo de cirurgia. Um ponto crucial no pós-operatório é a avaliação da febre. Embora a febre possa ser um sinal de ISC, é importante ressaltar que a maioria dos pacientes febris no pós-operatório não apresenta infecção do sítio cirúrgico. A febre pode ser decorrente de diversas outras causas, como atelectasia pulmonar (comum nas primeiras 24-48h), infecções urinárias, pneumonia, tromboflebite, reações medicamentosas ou mesmo a resposta inflamatória sistêmica à própria cirurgia. Uma investigação completa é necessária para determinar a etiologia da febre e guiar a conduta adequada.
As causas incluem atelectasia pulmonar, infecções do trato urinário, pneumonia, tromboflebite, reações a medicamentos ou transfusões, e até mesmo a resposta inflamatória sistêmica à cirurgia.
Fatores de risco incluem tempo cirúrgico prolongado, contaminação da ferida, má técnica cirúrgica, comorbidades do paciente (diabetes, obesidade, imunossupressão), má nutrição e falha na profilaxia antibiótica adequada.
A profilaxia antibiótica é indicada em cirurgias limpas-contaminadas, contaminadas e em algumas cirurgias limpas com implante de prótese ou alto risco de infecção, mas não em todas as cirurgias.
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