Infecção de Ferida Cirúrgica: Conduta Pós-operatória Correta

FELUMA/FCM-MG - Fundação Educacional Lucas Machado - Ciências Médicas (MG) — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo masculino, 63 anos de idade, foi submetido a hernioplastia inguinal aberta. No primeiro dia do pós-operatório, houve grande protrusão dolorosa na região operada e o médico sugeriu a colocação de bolsa de gelo no local. Após uma semana, a dor manteve-se elevada e o paciente passou a ter febre apenas vespertina de 37,8 °C, porém o local operado não aumentou de tamanho, apesar de manter-se com a pele avermelhada, entremeada por algumas manchas esbranquiçadas e saída de pouco líquido amarronzado fétido. Ele procurou o seu médico no consultório para tratamento. Com relação ao quadro clínico descrito acima, assinale a alternativa com a conduta CORRETA.

Alternativas

  1. A) Manter a ferida fechada e iniciar antibioticoterapia, com reavaliação após três dias.
  2. B) Abrir toda a ferida, limpá-la, manter parcialmente aberta e iniciar antibioticoterapia.
  3. C) Abrir a ferida, lavar, em seguida, suturá-la completamente e iniciar antibioticoterapia.
  4. D) Retirar dois pontos no meio da ferida, introduzir um dreno e iniciar antibioticoterapia.

Pérola Clínica

Infecção de ferida cirúrgica com secreção fétida: Abrir, limpar, manter aberta + ATB.

Resumo-Chave

O quadro clínico de dor, febre vespertina, avermelhamento da pele com manchas esbranquiçadas e saída de líquido amarronzado fétido após hernioplastia inguinal é altamente sugestivo de infecção de sítio cirúrgico com formação de abscesso ou celulite grave. A conduta correta é a abertura da ferida para drenagem, limpeza e desbridamento, seguida de antibioticoterapia sistêmica, mantendo a ferida aberta para cicatrização por segunda intenção.

Contexto Educacional

A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações pós-operatórias mais comuns e representa um desafio significativo na prática cirúrgica. Ela pode variar de uma infecção superficial da pele a uma infecção profunda envolvendo tecidos moles, órgãos ou espaços. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são cruciais para prevenir morbidade e mortalidade, especialmente em procedimentos como a hernioplastia inguinal. O quadro clínico descrito, com dor intensa, protrusão local, febre vespertina, eritema, manchas esbranquiçadas e secreção amarronzada fétida, é altamente sugestivo de uma infecção de sítio cirúrgico, possivelmente com formação de abscesso. A fisiopatologia envolve a proliferação bacteriana nos tecidos lesados durante a cirurgia, exacerbada por fatores como hematomas, seromas e necrose tecidual. A presença de secreção fétida indica a provável participação de bactérias anaeróbias ou gram-negativas. A conduta correta para uma infecção de ferida cirúrgica com sinais de abscesso ou celulite grave é a abertura da ferida (deiscência cirúrgica), seguida de limpeza rigorosa e desbridamento de tecidos necróticos. Manter a ferida aberta permite a drenagem contínua do exsudato e a cicatrização por segunda intenção, o que é fundamental para a resolução da infecção. A antibioticoterapia sistêmica deve ser iniciada prontamente, com cobertura de amplo espectro, e ajustada conforme os resultados de cultura e antibiograma. Tentar manter a ferida fechada ou apenas drenar superficialmente pode levar à progressão da infecção, formação de fístulas ou sepse, sendo um erro grave no manejo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais e sintomas de uma infecção de ferida cirúrgica?

Os sinais e sintomas de infecção de ferida cirúrgica incluem dor localizada, eritema (vermelhidão), calor, edema (inchaço), febre (geralmente vespertina), e a presença de secreção purulenta ou fétida. Em casos mais graves, pode haver deiscência da ferida e sinais sistêmicos de sepse.

Por que é crucial abrir a ferida em caso de infecção com secreção fétida?

Abrir a ferida é crucial para permitir a drenagem adequada do pus e do material necrótico, que servem como meio de cultura para as bactérias. Isso reduz a carga bacteriana, alivia a pressão local, melhora a oxigenação dos tecidos e permite que os antibióticos atinjam o local da infecção de forma mais eficaz, promovendo a cicatrização por segunda intenção.

Qual o papel da antibioticoterapia no tratamento de feridas cirúrgicas infectadas?

A antibioticoterapia é um componente essencial do tratamento, visando erradicar a infecção bacteriana. A escolha do antibiótico deve ser empírica inicialmente, cobrindo os patógenos mais prováveis (geralmente estafilococos e estreptococos, e gram-negativos em infecções mais profundas), e ajustada posteriormente com base em culturas e antibiogramas, se disponíveis.

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