UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020
Os custos do tratamento de Infecções por Sítio Cirúrgico (ISC) estão aumentando devido ao crescente número de procedimentos cirúrgicos realizados em todo o mundo, associado à maior frequência de pacientes cirúrgicos apresentando comorbidades cada vez mais complexas. Posto isso, considere as afirmações abaixo. I - O uso adequado da lista de verificação da OMS reduziu a incidência de ISC pela metade. II - O controle da glicemia, no intraoperatório, em torno de 180 mg tem se provado efetivo na redução das ISC. III - A manutenção da temperatura em torno de 36º C, avaliado por termômetro transesofágico, não contribuiu para a redução das ISC. IV - O uso de adesivos plásticos colantes para incisão, com propriedades antimicrobianas, reduz significativamente a taxa de ISC. Entre as afirmativas, estão corretas
Lista de verificação OMS e controle glicêmico intraoperatório (até 180 mg/dL) reduzem ISC.
A lista de verificação de segurança cirúrgica da OMS e o controle rigoroso da glicemia intraoperatória (mantendo-a abaixo de 180 mg/dL) são medidas eficazes e baseadas em evidências para a redução das Infecções de Sítio Cirúrgico. A manutenção da normotermia também é crucial, e adesivos antimicrobianos não têm evidência robusta de benefício significativo.
As Infecções de Sítio Cirúrgico (ISC) representam um desafio significativo na prática cirúrgica, com impactos substanciais na morbidade do paciente, tempo de internação e custos hospitalares. A prevenção das ISC é multifacetada e envolve uma série de intervenções baseadas em evidências, abrangendo desde o pré-operatório até o pós-operatório. Entre as estratégias mais eficazes, a implementação da Lista de Verificação de Segurança Cirúrgica da Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstrou reduzir significativamente a incidência de complicações cirúrgicas, incluindo as ISC, ao promover a comunicação da equipe e a adesão a práticas seguras. O controle rigoroso da glicemia no período perioperatório é outra medida crucial; a hiperglicemia (glicemia > 180 mg/dL) está associada a um aumento do risco de infecção, e sua manutenção em níveis adequados é fundamental. Além disso, a manutenção da normotermia (temperatura corporal central entre 36°C e 37°C) durante o período perioperatório é vital, pois a hipotermia compromete a função imune e a cicatrização, elevando o risco de ISC. Por outro lado, o uso de adesivos plásticos colantes com propriedades antimicrobianas para incisão não possui evidências robustas e consistentes que comprovem uma redução significativa e independente na taxa de ISC, sendo uma medida de eficácia questionável em comparação com as demais.
A lista de verificação da OMS padroniza etapas cruciais de segurança em três fases (antes da indução anestésica, antes da incisão e antes da saída da sala), promovendo a comunicação da equipe e a adesão a práticas que comprovadamente reduzem complicações, incluindo ISC.
O controle da glicemia intraoperatória, mantendo-a abaixo de 180 mg/dL, é recomendado para pacientes diabéticos e não diabéticos, pois a hiperglicemia está associada a maior risco de infecção.
A hipotermia perioperatória (temperatura central < 36°C) compromete a função imune, a cicatrização e a coagulação, aumentando o risco de ISC. Manter a normotermia (36°C a 37°C) é uma medida preventiva eficaz.
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