UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2025
Paciente feminina, de 45 anos, com diabetes melito tipo 2, submetida a colecistectomia laparoscópica há 10 dias, retornou ao Ambulatório referindo dor constante no local da incisão, vermelhidão e calor ao redor da ferida operatória. Ao exame, apresentava febre de 38,5o C, secreção purulenta no sítio cirúrgico, endurecimento e sinais inflamatórios ao redor da incisão. Hemograma evidenciou leucocitose com desvio à esquerda. Qual a conduta mais adequada?
ISC com secreção purulenta + febre → Drenagem + ATB empírica imediata.
A presença de febre, secreção purulenta, dor e sinais inflamatórios locais após cirurgia, especialmente em paciente diabética, é altamente sugestiva de infecção de sítio cirúrgico. A conduta imediata e adequada envolve a drenagem da ferida e o início de antibioticoterapia empírica para cobrir os patógenos mais prováveis.
A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações pós-operatórias mais comuns e representa um desafio significativo na prática médica, especialmente em pacientes com fatores de risco como diabetes melito tipo 2. O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são fundamentais para prevenir a progressão da infecção, reduzir a morbidade e otimizar os resultados do paciente. A colecistectomia laparoscópica, embora minimamente invasiva, não está isenta desse risco. Os sinais e sintomas clássicos de ISC incluem dor, vermelhidão (eritema), calor, inchaço e, crucialmente, a presença de secreção purulenta na ferida operatória. Febre e leucocitose com desvio à esquerda no hemograma são indicativos de uma resposta sistêmica à infecção. Em pacientes diabéticos, a resposta inflamatória pode ser atenuada, mas o risco de infecções mais graves é aumentado devido à imunocomprometimento e à cicatrização deficiente. A conduta mais adequada para uma ISC com secreção purulenta é a drenagem da ferida operatória, que consiste na abertura da incisão para permitir a saída do pus e a limpeza local. Concomitantemente, deve-se iniciar antibioticoterapia empírica, cobrindo os patógenos mais prováveis (geralmente Gram-positivos da pele, como Staphylococcus aureus, e Gram-negativos, dependendo do tipo de cirurgia), ajustando-a posteriormente com base nos resultados da cultura e antibiograma. Apenas a observação ou analgesia são insuficientes e podem levar à disseminação da infecção.
A infecção de sítio cirúrgico superficial é diagnosticada pela presença de pus na incisão, dor, calor, vermelhidão e inchaço, com ou sem febre, ocorrendo dentro de 30 dias após a cirurgia e envolvendo apenas pele e tecido subcutâneo. A cultura da secreção pode confirmar o agente etiológico.
Pacientes com diabetes melito têm maior risco de infecção devido a múltiplos fatores, incluindo comprometimento da função imunológica (neutrófilos e macrófagos), microangiopatia que reduz a perfusão tecidual e cicatrização prejudicada, e níveis elevados de glicose que favorecem o crescimento bacteriano.
A drenagem da ferida operatória é crucial para remover o material purulento, reduzir a carga bacteriana e aliviar a pressão local. Ela permite o acesso do antibiótico ao local da infecção e acelera a resolução do processo infeccioso, sendo frequentemente mais importante que o próprio antibiótico em infecções localizadas.
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