Infecção de Sítio Cirúrgico: Diagnóstico e Manejo Pós-Colecistectomia

Prontobaby - Hospital da Criança (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Paciente de 32 anos, feminina, submetida a colecistectomia há 2 semanas, apresenta saída de secreção purulenta em ferida operatória, sem febre, porém com hiperemia local associada. O diagnóstico e a conduta são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Seroma; observação domiciliar com anti-inflamatório
  2. B) Infecção de sítio cirúrgico; coleta de secreção por aspirado para cultura e início de antibioticoterapia
  3. C) Seroma; internação por 24h, instilação de corticoide intra-lesiona!
  4. D) Infecção de sítio cirúrgico; sem necessidade de coleta de material para culturas, início empírico de cefalosporina de 4ª geração.

Pérola Clínica

Secreção purulenta em ferida operatória pós-cirurgia → Infecção de Sítio Cirúrgico → Coleta para cultura + ATB empírica.

Resumo-Chave

A presença de secreção purulenta em uma ferida operatória, mesmo na ausência de febre, é o sinal cardinal de infecção de sítio cirúrgico (ISC). A conduta adequada envolve a coleta de material para cultura e antibiograma para identificar o patógeno e guiar a antibioticoterapia, que deve ser iniciada empiricamente.

Contexto Educacional

A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações pós-operatórias mais comuns e um importante indicador de qualidade hospitalar. Ela é definida como uma infecção que ocorre na incisão cirúrgica ou em órgãos/espaços manipulados durante a cirurgia, dentro de um período específico (geralmente 30 dias ou até 1 ano com implantes). A colecistectomia, embora frequentemente realizada por via laparoscópica, ainda apresenta risco de ISC, especialmente em casos de colecistite aguda ou cirurgias abertas. O diagnóstico de ISC é primariamente clínico. A presença de secreção purulenta na ferida operatória é o sinal mais característico e suficiente para o diagnóstico, mesmo na ausência de febre ou outros sinais sistêmicos. Outros sinais locais incluem hiperemia (vermelhidão), calor, dor e edema. A fisiopatologia envolve a contaminação da ferida por microrganismos, seja da flora do paciente, da equipe cirúrgica ou do ambiente hospitalar. A conduta para ISC envolve a abertura da ferida para drenagem do pus, desbridamento de tecidos necróticos se necessário, e a coleta de material para cultura e antibiograma. A antibioticoterapia deve ser iniciada empiricamente, cobrindo os patógenos mais prováveis (geralmente Staphylococcus aureus e bactérias Gram-negativas entéricas), e posteriormente ajustada conforme o resultado da cultura. A drenagem adequada da coleção purulenta é tão importante quanto a antibioticoterapia para a resolução da infecção.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para infecção de sítio cirúrgico superficial?

Os critérios incluem a presença de pus na incisão, isolamento de microrganismos de cultura da incisão, dor ou sensibilidade localizada, inchaço, calor ou vermelhidão, e diagnóstico de ISC pelo cirurgião ou médico assistente, ocorrendo dentro de 30 dias da cirurgia.

Qual a importância da coleta de cultura em casos de infecção de sítio cirúrgico?

A coleta de cultura é fundamental para identificar o agente etiológico específico e seu perfil de sensibilidade aos antibióticos. Isso permite ajustar a antibioticoterapia empírica, garantindo um tratamento mais eficaz e evitando a resistência antimicrobiana.

Quais são os principais patógenos associados à infecção de sítio cirúrgico após colecistectomia?

Os patógenos mais comuns são bactérias da flora cutânea (Staphylococcus aureus) e entéricas (Escherichia coli, Klebsiella spp., Enterococcus spp.), especialmente em cirurgias que envolvem o trato gastrointestinal, como a colecistectomia.

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