UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2026
Homem, 56 anos de idade, foi admitido há 10 dias por abdome agudo causado por colecistite complicada, com sinais de perfuração intestinal e peritonite na propedêutica admissional. Foi iniciado ceftriaxona e metronidazol e o paciente foi submetido a cirurgia com laparotomia exploradora e colecistectomia, com dreno de Penrose posicionado em hipocôndrio direito desde então. A drenagem de secreção reduziu-se desde a admissão, com última mensuração em 24 horas de 50-60 mL de conteúdo hemático escurecido. Há 1 dia, vem apresentando febre, taquicardia, calafrios e dor à manipulação do dreno. Foi realizada TC de abdome com contraste que evidenciou coleção subfrênica de conteúdo denso, heterogêneo e trabeculado. Foi submetido a drenagem por radiointervenção com retirada de 50 mL de líquido hemático denso, enviado para cultura. O resultado da cultura está disponível (figura): Qual é a alternativa correta?
Coleção abdominal pós-op + febre = Controle de foco (drenagem) + ATB de amplo espectro (Pip-Tazo ou Carbapenêmico).
Infecções intra-abdominais nosocomiais exigem cobertura para Gram-negativos multirresistentes e anaeróbios, priorizando doses otimizadas e controle de foco.
O manejo de infecções intra-abdominais pós-operatórias é um desafio frequente na cirurgia geral e terapia intensiva. A colecistite complicada com perfuração já predispõe à contaminação peritoneal. O surgimento de novos sintomas (febre, taquicardia) após melhora inicial sugere a formação de coleções, como o abscesso subfrênico identificado na TC. A escolha da antibioticoterapia deve considerar o perfil de resistência local. Em infecções graves de sítio cirúrgico, a otimização farmacocinética/farmacodinâmica (PK/PD), como o uso de infusão prolongada de beta-lactâmicos, maximiza o tempo acima da Concentração Inibitória Mínima (T>CIM), melhorando os desfechos clínicos em pacientes críticos.
O controle de foco, realizado através de drenagem percutânea (radiointervenção) ou reoperação, é o pilar fundamental no tratamento de coleções intra-abdominais. Sem a remoção do material purulento e detritos necróticos, a penetração do antibiótico é insuficiente e a carga bacteriana permanece alta, perpetuando a resposta inflamatória sistêmica e aumentando o risco de sepse e falha terapêutica.
Ambos são opções de amplo espectro para infecções nosocomiais. A Piperacilina-Tazobactam cobre Gram-positivos, Gram-negativos (incluindo Pseudomonas) e anaeróbios. O Meropenem (carbapenêmico) é reservado para casos de suspeita ou confirmação de germes produtores de ESBL (beta-lactamase de espectro ampliado) ou em pacientes com choque séptico e histórico de colonização por germes multirresistentes.
Uma infecção é considerada IRAS quando ocorre após a admissão hospitalar (geralmente após 48h) ou está relacionada a procedimentos invasivos, como cirurgias. No caso clínico, o paciente desenvolveu sintomas 10 dias após uma cirurgia complexa e permaneceu com dreno, o que caracteriza claramente uma complicação infecciosa hospitalar, exigindo cobertura para a microbiota institucional.
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