FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Paciente de 45 anos foi submetido à cirurgia colônica por via aberta, evoluindo com saída de secreção pelo sítio cirúrgico da parede abdominal. Todos critérios abaixo citados são definidores/diagnósticos da infecção do sítio cirúrgico superficial neste paciente, exceto:
ISC Superficial → Até 30 dias pós-op + Pele/Subcutâneo + Drenagem purulenta ou sinais locais.
O diagnóstico de ISC superficial baseia-se em critérios clínicos e temporais rigorosos (30 dias), envolvendo apenas os tecidos acima da aponeurose.
As infecções de sítio cirúrgico (ISC) representam uma das principais causas de morbidade pós-operatória e aumento dos custos hospitalares. O CDC estabelece critérios rigorosos para a vigilância epidemiológica, permitindo a comparação de taxas de infecção entre instituições. Para a ISC incisional superficial, o envolvimento deve ser restrito à pele e ao tecido subcutâneo. O diagnóstico é confirmado se houver drenagem purulenta ou se o cirurgião abrir a ferida na presença de sinais inflamatórios locais. É crucial notar que a presença de celulite ou inflamação mínima ao redor dos pontos de sutura não é considerada ISC. O tempo de manifestação é um divisor de águas: 30 dias para infecções superficiais e profundas sem implantes. A questão destaca o erro comum de estender esse prazo para 45 dias em casos superficiais. Em cirurgias colônicas, o risco de ISC é inerentemente maior devido à carga bacteriana endógena, exigindo antibioticoprofilaxia rigorosa e técnica cirúrgica meticulosa. O reconhecimento precoce da ISC superficial permite o tratamento rápido, muitas vezes apenas com abertura de pontos e drenagem, evitando a progressão para planos profundos ou sepse sistêmica.
A Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC) é classificada em três níveis, dependendo da profundidade dos tecidos envolvidos: superficial, profunda e de órgão/espaço. A ISC superficial envolve apenas a pele e o tecido celular subcutâneo. Para ser diagnosticada, deve ocorrer nos primeiros 30 dias após a cirurgia e apresentar pelo menos um dos seguintes: drenagem purulenta, cultura positiva de fluido obtido assepticamente, ou abertura deliberada da incisão pelo cirurgião diante de sinais inflamatórios (dor, calor, rubor). Já a ISC incisional profunda envolve tecidos moles profundos, como fáscia e camadas musculares, e tem um prazo de vigilância que pode se estender até 90 dias se houver implantes. A ISC de órgão ou espaço envolve qualquer parte da anatomia aberta ou manipulada durante a cirurgia, exceto a incisão propriamente dita. Essa distinção é vital para o manejo terapêutico.
O prazo de 30 dias é o critério padrão estabelecido pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention) para a vigilância de infecções de sítio cirúrgico incisionais, tanto superficiais quanto profundas (quando não há implantes). Esse período foi definido com base na história natural das infecções bacterianas pós-operatórias, que geralmente se manifestam na primeira ou segunda semana após o procedimento. Caso o paciente tenha recebido um implante (como uma prótese ortopédica ou tela de hérnia), o período de vigilância para infecções profundas ou de órgão/espaço é estendido para 90 dias, pois biofilmes e infecções indolentes podem demorar mais para se manifestar clinicamente. É fundamental que a equipe de saúde e o paciente estejam atentos a sinais de alerta durante todo esse período, garantindo que qualquer complicação seja tratada precocemente.
O diagnóstico de uma ISC superficial é predominantemente clínico. Os sinais cardinais de inflamação — dor ou sensibilidade local, edema, hiperemia (rubor) e calor — são os indicadores iniciais. A presença de drenagem purulenta é um critério diagnóstico isolado muito forte. Se o cirurgião decidir abrir a ferida devido a esses sinais, o diagnóstico é confirmado, a menos que a cultura do material seja negativa (embora a cultura negativa não exclua ISC se houver pus). É importante diferenciar a ISC de uma simples reação inflamatória aos fios de sutura ou de um seroma (acúmulo de fluido linfático sem infecção). No seroma, o líquido é claro ou citrino e não há sinais sistêmicos de infecção ou celulite perilesional intensa. O acompanhamento rigoroso da ferida operatória permite a diferenciação e o tratamento adequado, que na ISC superficial geralmente envolve apenas drenagem e cuidados locais.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo