Infecção de Sítio Cirúrgico: Fatores de Risco e Manejo

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2022

Enunciado

Com relação às infecções de sítio cirúrgico, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) A duração do procedimento cirúrgico não é fator de risco para as infecções do sítio cirúrgico.
  2. B) Infecções profundas são as infecções mais frequentes.
  3. C) Profilaxia sistêmica antimicrobiana é indicada em todas as cirurgias.
  4. D) Feridas traumáticas abertas não são feridas contaminadas.
  5. E) A maioria dos pacientes febris no pós-operatório não apresenta infecção de sítio cirúrgico.

Pérola Clínica

Febre pós-operatória ≠ ISC; duração cirurgia é fator de risco; profilaxia ATB não é para todas cirurgias.

Resumo-Chave

As infecções de sítio cirúrgico (ISC) são complicações importantes, mas a febre no pós-operatório é um achado comum e nem sempre indica ISC. A duração do procedimento cirúrgico é um fator de risco bem estabelecido, e a profilaxia antimicrobiana é indicada apenas em cirurgias específicas, não em todas.

Contexto Educacional

As infecções de sítio cirúrgico (ISC) representam uma das complicações mais comuns e onerosas da cirurgia, impactando significativamente a morbidade e mortalidade dos pacientes, além de aumentar os custos hospitalares. É fundamental que residentes e profissionais de saúde compreendam os fatores de risco e as estratégias de prevenção e manejo das ISC. A fisiopatologia das ISC envolve a contaminação da ferida cirúrgica por microrganismos, geralmente da flora do próprio paciente, seguida pela falha dos mecanismos de defesa do hospedeiro em erradicá-los. Fatores como duração da cirurgia, tipo de ferida (limpa, limpa-contaminada, contaminada, infectada), técnica cirúrgica, controle glicêmico e estado nutricional do paciente são cruciais. O diagnóstico é clínico, com sinais flogísticos locais e, por vezes, sistêmicos. A prevenção é a melhor abordagem, incluindo a profilaxia antimicrobiana adequada (quando indicada), preparo da pele, manutenção da normotermia, controle glicêmico e técnica cirúrgica asséptica. O tratamento envolve drenagem de coleções, desbridamento e antibioticoterapia direcionada. É importante lembrar que a febre pós-operatória é um achado comum e nem sempre indica ISC, exigindo uma investigação diagnóstica cuidadosa para outras causas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para infecções de sítio cirúrgico?

Fatores de risco incluem duração prolongada da cirurgia, contaminação da ferida, estado nutricional do paciente, comorbidades como diabetes, e técnica cirúrgica inadequada.

A profilaxia antimicrobiana é indicada em todas as cirurgias?

Não, a profilaxia antimicrobiana é indicada apenas em cirurgias com risco significativo de infecção, como cirurgias limpas-contaminadas ou contaminadas, ou em procedimentos limpos com implante de prótese.

Por que a maioria dos pacientes febris no pós-operatório não apresenta infecção de sítio cirúrgico?

A febre pós-operatória pode ter diversas causas não infecciosas, como atelectasia, reações transfusionais, tromboflebite, ou mesmo ser uma resposta inflamatória sistêmica à cirurgia.

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