AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2024
São fatores de risco de infecção pós-operatória: I. Obesidade. II. Hipocolesterolemia. III. Doenças metabólicas crônicas. Quais estão corretas?
Obesidade + Desnutrição (↓ Colesterol) + Comorbidades = ↑ Risco de Infecção de Sítio Cirúrgico.
A infecção pós-operatória é multifatorial, dependendo de condições que prejudicam a perfusão tecidual (obesidade), a resposta imune e síntese proteica (hipocolesterolemia) e o metabolismo celular (doenças crônicas).
A Infecção de Sítio Cirúrgico (ISC) continua sendo uma das complicações mais comuns no ambiente hospitalar. A identificação dos fatores de risco no pré-operatório permite a implementação de medidas preventivas direcionadas, como a otimização nutricional e o controle glicêmico. Os fatores podem ser divididos em relacionados ao procedimento e relacionados ao hospedeiro. Entre os fatores do hospedeiro, a obesidade e as doenças metabólicas são amplamente reconhecidas. No entanto, o estado nutricional, refletido por marcadores como a hipocolesterolemia, é igualmente vital. A hipocolesterolemia é um sinal de alerta para fragilidade e baixa imunidade, correlacionando-se diretamente com piores desfechos cirúrgicos e maior taxa de deiscência de ferida e infecção.
A obesidade contribui para a ISC através de diversos mecanismos: o tecido adiposo é hipovascularizado, o que prejudica a entrega de oxigênio e antibióticos ao sítio cirúrgico; há uma maior dificuldade técnica na cirurgia, levando a tempos operatórios prolongados; e o estado inflamatório crônico associado à obesidade altera a resposta imune local e sistêmica, facilitando a proliferação bacteriana.
A hipocolesterolemia no contexto cirúrgico é frequentemente um marcador de desnutrição proteico-calórica ou de um estado inflamatório sistêmico grave. O colesterol é essencial para a integridade das membranas celulares e para a síntese de hormônios esteroides. Pacientes com colesterol muito baixo apresentam menor reserva metabólica para a cicatrização e uma resposta imunológica deprimida, elevando o risco de complicações.
Doenças como o Diabetes Mellitus prejudicam a função dos neutrófilos (quimiotaxia e fagocitose), aumentam o estresse oxidativo e alteram a microcirculação. Além disso, doenças metabólicas crônicas frequentemente coexistem com vasculopatias, que retardam a cicatrização e mascaram sinais precoces de infecção, tornando o controle rigoroso dessas patologias uma prioridade absoluta.
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