UFMA/HU-UFMA - Hospital Universitário da UFMA (MA) — Prova 2015
Paciente submetido à laparotomia exploradora com achado de peritonite difusa por apendicite aguda perfurada. Qual das opões abaixo está associada à menor taxa de infecção de sítio cirúrgico do tipo incisional?
Peritonite difusa → fechamento primário tardio (aponeurose fechada, pele/subcutâneo abertos) ↓ infecção de sítio cirúrgico.
Em cirurgias com alto risco de contaminação, como peritonite difusa por apendicite perfurada, o fechamento primário tardio da pele e subcutâneo (mantendo-os abertos temporariamente após o fechamento da aponeurose) permite a drenagem e reduz significativamente a taxa de infecção de sítio cirúrgico.
A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais comuns e onerosas em cirurgia, especialmente em procedimentos que envolvem contaminação significativa, como a laparotomia exploradora por peritonite difusa secundária a apendicite aguda perfurada. A escolha da técnica de fechamento da ferida operatória é crucial para minimizar esse risco. Em casos de contaminação intensa, como a peritonite difusa, o fechamento primário completo de todos os planos da ferida aumenta drasticamente o risco de ISC. A estratégia mais eficaz para reduzir essa taxa é o fechamento primário tardio, também conhecido como fechamento por segunda intenção modificada. Essa técnica envolve o fechamento da aponeurose (que é o plano mais importante para a integridade da parede abdominal) com fio monofilamentar (menos reativo e com menor chance de abrigar bactérias), enquanto a pele e o tecido celular subcutâneo são deixados abertos temporariamente. Manter a pele e o subcutâneo abertos permite a drenagem de exsudatos, a inspeção diária da ferida e a limpeza, reduzindo a carga bacteriana antes de um fechamento secundário (se necessário) ou permitindo a cicatrização por segunda intenção. Essa abordagem é superior a outras opções como o fechamento primário completo com drenos ou o uso de fios multifilamentares em tecidos contaminados, que podem servir como nicho para bactérias. Para residentes, dominar essas técnicas é fundamental para a prática cirúrgica segura e para otimizar os resultados pós-operatórios.
O fechamento primário tardio, ou fechamento por segunda intenção modificada, consiste em fechar a aponeurose primariamente, mas deixar a pele e o tecido celular subcutâneo abertos por alguns dias para observação e drenagem, fechando-os posteriormente se não houver sinais de infecção.
Em feridas contaminadas, o fechamento primário tardio permite que a área seja inspecionada, drenada e limpa, reduzindo a carga bacteriana e, consequentemente, o risco de infecção de sítio cirúrgico, que é uma complicação grave.
Fatores como contaminação intraoperatória (peritonite, apendicite perfurada), tempo cirúrgico prolongado, má técnica cirúrgica, presença de corpos estranhos, imunossupressão do paciente e diabetes aumentam o risco de ISC.
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