Infecção de Tela em Hérnia: Conduta e Manejo Cirúrgico

USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 54 anos de idade, está no 6º pós-operatório de correção de hérnia incisional de laparotomia mediana com colocação de tela de polipropileno sobre a aponeurose (técnica onlay). Foi colocado dreno no subcutâneo. Evoluiu com dor na incisão e com saída de secreção espessa e purulenta. Ao exame clínico, encontra-se em bom estado geral, afebril, abdome (imagem a seguir) flácido e pouco doloroso à palpação.Qual deve ser a conduta neste momento? 

Alternativas

  1. A) Troca da tela e curativo com carvão ativado.
  2. B) Cefazolina com abertura da incisão, se não houver melhora.
  3. C) Retirada da tela e curativo com pressão negativa. 
  4. D) Retirada de pontos, desbridamento e curativo diário. 

Pérola Clínica

Infecção superficial de sítio cirúrgico com tela e secreção purulenta → Retirada de pontos, desbridamento e curativo diário.

Resumo-Chave

Em casos de infecção superficial de sítio cirúrgico com tela, especialmente quando há secreção purulenta e bom estado geral do paciente, a conduta inicial é remover os pontos, desbridar a área infectada e realizar curativos diários. A retirada da tela é reservada para infecções profundas ou refratárias, pois a tela de polipropileno tem boa tolerância a infecções superficiais.

Contexto Educacional

A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma complicação comum, especialmente em cirurgias de hérnia incisional com uso de tela, afetando a recuperação do paciente e os resultados cirúrgicos. A incidência varia, mas pode ser maior em pacientes com fatores de risco como obesidade, diabetes e cirurgias prolongadas. É crucial para residentes e cirurgiões reconhecer e manejar adequadamente essas infecções para evitar complicações maiores e falha do reparo herniário. A fisiopatologia envolve a contaminação bacteriana durante ou após o procedimento cirúrgico. O diagnóstico é primariamente clínico, baseado nos sinais inflamatórios locais e na presença de secreção purulenta. A diferenciação entre infecção superficial e profunda é fundamental para guiar a conduta, sendo a avaliação do estado geral do paciente e a extensão da infecção pontos-chave. Exames complementares como hemograma e culturas podem auxiliar, mas a decisão terapêutica inicial é frequentemente clínica. O tratamento da ISC superficial com tela de polipropileno geralmente envolve a abertura da ferida, retirada de pontos, desbridamento do tecido necrótico e curativos diários. Antibioticoterapia pode ser considerada, mas a drenagem e o desbridamento são os pilares do tratamento. A tela de polipropileno, por sua natureza macroporosa, tende a se integrar bem e muitas vezes pode ser preservada, mesmo na presença de infecção superficial, ao contrário de telas microporosas ou de outros materiais que podem exigir remoção. O prognóstico é geralmente bom com manejo adequado, mas a falha em tratar pode levar a infecções crônicas ou necessidade de reintervenção.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de infecção de sítio cirúrgico em hérnia com tela?

Os sinais incluem dor localizada na incisão, eritema, calor, edema e, principalmente, a presença de secreção purulenta. Febre e leucocitose podem estar presentes, mas nem sempre indicam infecção profunda, especialmente se o paciente estiver em bom estado geral.

Quando a tela de polipropileno deve ser removida em caso de infecção?

A remoção da tela de polipropileno é geralmente indicada em infecções profundas, refratárias ao tratamento conservador, fístulas enterocutâneas ou quando há evidência de infecção da própria tela que não cicatriza. Em infecções superficiais, o desbridamento e curativos costumam ser suficientes.

Qual a diferença entre infecção superficial e profunda de sítio cirúrgico?

A infecção superficial envolve apenas pele e tecido subcutâneo, enquanto a profunda atinge fáscia e músculos. A presença de secreção purulenta na incisão sem sinais sistêmicos graves ou envolvimento de planos mais profundos sugere infecção superficial, que geralmente tem melhor prognóstico e manejo mais conservador.

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