Infecção de Sítio Cirúrgico: Fatores de Risco e Prevenção

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2019

Enunciado

Mulher, 43a, submetida a esplenectomia eletiva. Administrados 2g de cefazolina antes da indução anestésica. Antecedentes Pessoais: Diabetes mellitus tipo 2, obesidade grau II, púrpura trombocitopênica idiopática em uso de prednisona 20mg/dia há 2 meses. Exame físico no quarto dia pós-operatório: T= 38,5º C; Abdome: hiperemia na incisão, com dreno apresentando baixo débito de secreção serosa. É CORRETO AFIRMAR QUE:

Alternativas

  1. A) A hiperglicemia, a obesidade e o uso de prednisona são fatores de risco para a infecção da ferida cirúrgica.
  2. B) O uso antibiótico profilático deveria ter sido estendido por mais 72 horas após a cirurgia pela presença do dreno.
  3. C) Os patógenos mais frequentemente envolvidos são os cocos Gram negativos encapsulados, como o Enterococcus sp.
  4. D) A corticoterapia deveria ter sido suspensa no pré-operatório e reintroduzida 2 semanas após a alta.

Pérola Clínica

DM2, obesidade e corticoterapia crônica ↑ risco de infecção de sítio cirúrgico (ISC).

Resumo-Chave

A presença de comorbidades como diabetes mellitus descompensado, obesidade e o uso crônico de corticosteroides são fatores de risco bem estabelecidos para o desenvolvimento de infecção de sítio cirúrgico, impactando a cicatrização e a resposta imune. O controle pré-operatório dessas condições é fundamental.

Contexto Educacional

A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais comuns e onerosas em cirurgia, representando um desafio significativo na prática médica. Sua incidência varia conforme o tipo de cirurgia e os fatores de risco do paciente, sendo crucial para a segurança do paciente e a qualidade do cuidado. A identificação e manejo desses fatores são essenciais na prevenção da ISC. A fisiopatologia da ISC envolve a interação entre a carga microbiana na ferida, a virulência dos patógenos e a capacidade de defesa do hospedeiro. Fatores como hiperglicemia, obesidade e uso de corticosteroides comprometem a resposta imune, a perfusão tecidual e a cicatrização, criando um ambiente propício para a proliferação bacteriana. O diagnóstico é clínico, baseado em sinais inflamatórios locais e sistêmicos, como febre e hiperemia na incisão. A prevenção da ISC é multifacetada, incluindo controle glicêmico rigoroso, otimização nutricional, cessação do tabagismo, técnica cirúrgica asséptica e profilaxia antibiótica adequada. O tratamento envolve drenagem da coleção, desbridamento de tecidos necróticos e antibioticoterapia direcionada, quando indicada, sempre considerando o perfil de risco do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para infecção de sítio cirúrgico?

Os principais fatores incluem diabetes mellitus descompensado, obesidade, desnutrição, tabagismo, idade avançada, imunossupressão (uso de corticosteroides), tempo cirúrgico prolongado e técnica cirúrgica inadequada.

Por que o uso de prednisona aumenta o risco de infecção pós-operatória?

A prednisona, um corticosteroide, tem efeito imunossupressor, comprometendo a resposta inflamatória e a capacidade do organismo de combater infecções, o que predispõe a complicações infecciosas e retarda a cicatrização.

Qual a duração recomendada da profilaxia antibiótica em cirurgias limpas-contaminadas?

A profilaxia antibiótica em cirurgias limpas-contaminadas geralmente deve ser administrada antes da incisão e suspensa em até 24 horas após o procedimento, não sendo prolongada pela presença de drenos ou por febre isolada sem foco.

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