HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Mulher de 65 anos, diabética e obesa, foi submetida à mastectomia por câncer de mama. No 5o dia de pós-operatório, apresenta eritema e calor ao redor da incisão, com exsudato purulento e odor fétido. As glicemias capilares que a paciente fez em casa demonstraram diabetes fora do controle, com hiperglicemia em todas as medidas. O exame físico mostra uma área de deiscência parcial e presença de necrose superficial da ferida operatória. A paciente refere uso recente de suplementos de cálcio para osteoporose e está em terapia com insulina para o controle do diabetes. Adicionalmente, a paciente tem histórico de vasculite e faz uso de corticoides por via oral. Diante do caso clínico, assinale a alternativa que apresenta a terapêutica indicada.
ISC com necrose + deiscência + comorbidades (DM/corticoide) → Desbridamento + ATB IV.
A presença de necrose e exsudato purulento em paciente imunocomprometida (DM, corticoide) exige abordagem agressiva com limpeza cirúrgica e cobertura sistêmica de amplo espectro.
A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma das principais complicações pós-operatórias, especialmente em pacientes com múltiplos fatores de risco como obesidade, diabetes mellitus descompensado e uso crônico de corticoides. O caso descreve uma infecção que ultrapassa a celulite superficial, evidenciada pela necrose e exsudato purulento, o que classifica a lesão como grave. O tratamento padrão-ouro nessas circunstâncias envolve o controle do foco infeccioso através do desbridamento cirúrgico de tecidos desvitalizados e a instituição de antibioticoterapia de amplo espectro por via intravenosa. O controle glicêmico rigoroso também é fundamental para a recuperação tecidual.
Presença de necrose, deiscência, odor fétido e instabilidade metabólica (como hiperglicemia refratária) indicam necessidade de intervenção cirúrgica e antibioticoterapia parenteral imediata, pois sugerem infecção profunda ou de espaço orgânico.
O tecido necrótico atua como meio de cultura para patógenos e barreira física para a penetração de antibióticos e células de defesa. A remoção mecânica é fundamental para controlar o foco infeccioso e permitir a cicatrização.
A hiperglicemia prejudica a quimiotaxia de neutrófilos, a fagocitose e a síntese de colágeno. Além disso, a microvasculopatia diabética reduz a perfusão tecidual, aumentando significativamente o risco de deiscência e infecções graves.
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