Infecção de Sítio Cirúrgico: Classificação e Tempo

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2025

Enunciado

Paciente masculino de 25 anos, portador de hernia inguino-escrotal com colón redutível, submetido a herniorrafia inguinal eletiva por técnica de Liechenstein. Após 9 meses do procedimento, retorna com coleção subaponeurótica do obliquo externo. A respeito do caso, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) O procedimento realizado pode ser considerado limpa-contaminada, uma vez que tinha cólon, porém, sem grande contaminação.
  2. B) Mesmo após 9 meses, é considerada infecção de sítio cirúrgico por ser caso da herniorrafia inguinal.
  3. C) A infecção é considerada comunitária, pois se passaram mais de 30 dias da internação hospitalar.
  4. D) É classificada como infecção de sítio cirúrgico incisional superficial por não acometer órgãos intra-abdominais.
  5. E) A ferida operatória pode ser considerada suja-infectada por critério retrospectivo, uma vez que infectou no pós-operatório tardio.

Pérola Clínica

ISC profunda pode ocorrer até 1 ano pós-cirurgia com implante; coleção subaponeurótica = incisional profunda.

Resumo-Chave

Infecções de sítio cirúrgico (ISC) podem se manifestar tardiamente, especialmente em cirurgias com implante de prótese (até 1 ano). A coleção subaponeurótica do oblíquo externo indica uma ISC incisional profunda, pois acomete tecidos além da pele e subcutâneo, atingindo a fáscia ou o músculo.

Contexto Educacional

A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais comuns e onerosas em cirurgia, sendo um importante indicador de qualidade hospitalar. Sua correta classificação é fundamental para o manejo adequado e a prevenção. As ISCs são divididas em incisional superficial, incisional profunda e de órgão/espaço, com base na profundidade dos tecidos envolvidos. O período de vigilância para ISC é de 30 dias após a cirurgia, mas se estende para até um ano quando há implante de prótese ou material não orgânico, como telas utilizadas em herniorrafias. A presença de uma coleção subaponeurótica, como descrito no caso, indica que a infecção atingiu a fáscia ou o músculo, classificando-a como uma ISC incisional profunda, mesmo que ocorra tardiamente. É crucial que residentes compreendam os critérios de classificação e o tempo de ocorrência das ISCs para um diagnóstico e tratamento precisos. A prevenção envolve técnicas assépticas rigorosas, profilaxia antibiótica adequada e manejo cuidadoso dos tecidos. A identificação precoce e a intervenção apropriada são essenciais para melhorar os resultados do paciente e reduzir a morbidade associada.

Perguntas Frequentes

Qual o período para considerar uma infecção como de sítio cirúrgico?

Uma infecção é considerada de sítio cirúrgico se ocorrer dentro de 30 dias após a cirurgia ou até 1 ano se houver implante de prótese (como uma tela em herniorrafia), e estiver relacionada ao procedimento cirúrgico.

Como classificar uma infecção de sítio cirúrgico incisional profunda?

Uma ISC incisional profunda envolve a fáscia e as camadas musculares, mas não órgãos ou espaços. A presença de uma coleção subaponeurótica, como no caso, é um indicativo claro dessa classificação.

Uma cirurgia com cólon redutível é considerada limpa-contaminada?

Sim, uma cirurgia em que há abertura de víscera oca (como o cólon) sob condições controladas, com mínima contaminação, é classificada como limpa-contaminada. No entanto, a classificação da ferida operatória não define a infecção pós-operatória tardia.

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