Manejo da Infecção de Sítio Cirúrgico Pós-Apendicectomia

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011

Enunciado

Paciente do sexo masculino, com 22 anos de idade, submetido a tratamento cirúrgico de apendicite aguda há oito dias, procura a Unidade Básica de Saúde queixando-se de dor intensa e “infl amação” no local da incisão cirúrgica que ainda se encontra com pontos. Relata que evoluiu bem após a cirurgia recebendo alta no segundo dia pós-operatório com prescrição de dipirona, se necessário. Desde então, retomava as atividades habituais até que há um dia começou a notar aumento de volume no local da ferida operatória. Não informa febre e apresenta boa aceitação alimentar. Durante o exame físico, nota-se ferida operatória de aproximadamente 7 cm, oblíqua em fossa ilíaca direita discretamente elevada, hiperemiada, com calor local e saída de pequena quantidade de secreção amarelada, sem brilho, viscosa e que suja a roupa. Abdome fl ácido e indolor fora da área de incisão. Temperatura axilar normal. Frequência cardíaca = 72 bpm, Frequência respiratória = 16 irpm. Diante do quadro, qual o diagnóstico e a conduta para o caso nesse momento?

Alternativas

  1. A) Infecção de sítio cirúrgico e iniciar antibioticoterapia.
  2. B) Seroma e colocar dreno laminar pela incisão, após retirada de um dos pontos.
  3. C) Infecção de sítio cirúrgico e abrir a incisão, seguida de lavagem com soro fisiológico.
  4. D) Seroma e orientar o paciente que o conteúdo será absorvido pelo organismo.
  5. E) Hérnia incisional e orientar o paciente a procurar imediatamente o cirurgião que o operou.

Pérola Clínica

Secreção purulenta + sinais flogísticos em ferida → Abrir, drenar e lavar (Antibiótico é secundário).

Resumo-Chave

A conduta padrão para infecção de sítio cirúrgico superficial é a abertura da incisão para drenagem do material purulento e limpeza mecânica, sendo a antibioticoterapia reservada para casos com repercussão sistêmica.

Contexto Educacional

A infecção de sítio cirúrgico (ISC) é uma das complicações mais comuns em cirurgias abdominais, especialmente em casos de apendicite, onde a carga bacteriana pode ser elevada. A classificação divide as ISCs em superficiais (pele e tecido subcutâneo), profundas (fáscia e músculo) e de órgão/espaço (intra-abdominal). O caso clínico descreve uma ISC superficial típica. A ausência de febre e a estabilidade hemodinâmica reforçam que o processo é localizado. A conduta de 'abrir, drenar e lavar' é o padrão-ouro. A cicatrização subsequente deve ser monitorada, mantendo curativos úmidos e trocas frequentes para promover o tecido de granulação. O uso de drenos laminares (como o Penrose) é mais comum no momento da cirurgia original ou em abscessos profundos, não sendo a conduta primária para uma ISC superficial já estabelecida.

Perguntas Frequentes

Quando suspeitar de infecção de sítio cirúrgico (ISC) superficial?

A ISC superficial geralmente se manifesta entre o 5º e o 10º dia pós-operatório. Os sinais clássicos incluem dor localizada, edema, hiperemia (eritema), calor local e saída de secreção purulenta ou seropurulenta pela incisão. Diferente do seroma, que é uma coleção de fluido claro/citrino sem sinais inflamatórios, a ISC apresenta sinais flogísticos evidentes e secreção turva ou amarelada.

Por que a abertura da ferida é preferível ao uso isolado de antibióticos?

A infecção de parede funciona como um abscesso. O princípio cirúrgico fundamental é que coleções purulentas devem ser drenadas. O antibiótico apresenta baixa penetração em coleções fechadas e não substitui a necessidade de remover o material infectado e detritos necróticos. A abertura de alguns pontos e a lavagem com soro fisiológico permitem a cicatrização por segunda intenção e a resolução rápida do processo inflamatório.

Em quais situações a antibioticoterapia está indicada na ISC?

O uso de antibióticos na ISC está indicado quando há sinais de disseminação sistêmica (febre, taquicardia, leucocitose), celulite extensa que ultrapassa as bordas da ferida (mais de 2 cm de eritema), em pacientes imunossuprimidos ou quando a infecção atinge planos profundos (fáscia e músculo). Para infecções puramente superficiais e localizadas, a drenagem costuma ser suficiente.

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