Infecção de Sítio Cirúrgico: Fatores de Risco e Prevenção

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Em relação às infecções das feridas cirúrgicas no pós-operatório, é CORRETO afirmar:

Alternativas

  1. A) Feridas contaminadas, ou classe III, têm risco maior de 40% de infecção no pós-operatório, enquanto as limpas têm menos de 2% de risco de infecção.
  2. B) São fatores que agregam maior risco para infecção no pós-operatório: ins. cardíaca congestiva, ins. Hepática, HIV e outras imunodeficiências e diabetes.
  3. C) São fatores locais para infecção: hipoxia, tecido desvitalizado e a sutura de coaptação total dos bordos.
  4. D) A antissepsia da pele pode ser feita com clorexidina, povedine ou álcool etílico com mesma duração de efeito residual, mas devendo-se evitar mucosas.
  5. E) A lavagem da pele com antibióticos para germes próprios da pele ao final de procedimentos de longa duração tem se mostrado promissora na redução de infecções de ferida operatória.

Pérola Clínica

Comorbidades sistêmicas (DM, HIV, ICC) > fatores locais no risco de infecção de sítio cirúrgico.

Resumo-Chave

A infecção de sítio cirúrgico é influenciada por fatores do hospedeiro, do procedimento e do ambiente. Comorbidades que comprometem a perfusão ou a imunidade são preditores críticos.

Contexto Educacional

A infecção de sítio cirúrgico (ISC) permanece como uma das principais complicações pós-operatórias, impactando a morbidade e os custos hospitalares. A fisiopatologia envolve o desequilíbrio entre a carga bacteriana inoculada e a capacidade de resposta do hospedeiro. Fatores sistêmicos como diabetes e insuficiência cardíaca reduzem a perfusão tecidual e a eficiência leucocitária, enquanto fatores locais como hematomas e tecido desvitalizado servem como nicho para proliferação bacteriana. A prevenção eficaz exige uma abordagem multimodal, incluindo o controle glicêmico perioperatório, a manutenção da normotermia, a técnica cirúrgica meticulosa e a escolha adequada do antisséptico cutâneo. A evidência atual favorece o uso de clorexidina alcoólica para a preparação da pele, reservando soluções aquosas para áreas de mucosa.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco sistêmicos para ISC?

Os principais fatores sistêmicos incluem diabetes mellitus descontrolado, que prejudica a quimiotaxia de neutrófilos; tabagismo, que causa vasoconstrição periférica; obesidade, devido à hipoperfusão do tecido adiposo; e estados de imunossupressão como HIV ou uso crônico de corticoides. Além disso, insuficiência cardíaca e hepática comprometem a entrega de oxigênio e nutrientes essenciais para a cicatrização e resposta imune local.

Como funciona a classificação de Altemeier para feridas?

As feridas são classificadas em quatro categorias: Limpas (sem entrada em tratos colonizados, risco <2%), Limpas-contaminadas (entrada controlada em tratos respiratório, digestório ou geniturinário), Contaminadas (inflamação aguda sem pus ou grande extravasamento de conteúdo oco) e Infectadas/Suja (presença de pus ou perfuração de víscera prévia). Essa classificação ajuda a prever o risco de infecção e a necessidade de antibioticoprofilaxia.

Qual a diferença entre antissépticos na prática cirúrgica?

A clorexidina alcoólica é superior ao PVPI (povidona-iodo) na prevenção de ISC devido ao seu efeito residual prolongado e menor inativação por matéria orgânica. O álcool etílico 70% tem ação rápida, mas carece de efeito residual. É fundamental evitar o uso de soluções alcoólicas em mucosas devido ao risco de irritação química e queimaduras, preferindo soluções aquosas nesses locais.

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