PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024
Em relação às infecções das feridas cirúrgicas no pós-operatório, é CORRETO afirmar:
Comorbidades sistêmicas (DM, HIV, ICC) > fatores locais no risco de infecção de sítio cirúrgico.
A infecção de sítio cirúrgico é influenciada por fatores do hospedeiro, do procedimento e do ambiente. Comorbidades que comprometem a perfusão ou a imunidade são preditores críticos.
A infecção de sítio cirúrgico (ISC) permanece como uma das principais complicações pós-operatórias, impactando a morbidade e os custos hospitalares. A fisiopatologia envolve o desequilíbrio entre a carga bacteriana inoculada e a capacidade de resposta do hospedeiro. Fatores sistêmicos como diabetes e insuficiência cardíaca reduzem a perfusão tecidual e a eficiência leucocitária, enquanto fatores locais como hematomas e tecido desvitalizado servem como nicho para proliferação bacteriana. A prevenção eficaz exige uma abordagem multimodal, incluindo o controle glicêmico perioperatório, a manutenção da normotermia, a técnica cirúrgica meticulosa e a escolha adequada do antisséptico cutâneo. A evidência atual favorece o uso de clorexidina alcoólica para a preparação da pele, reservando soluções aquosas para áreas de mucosa.
Os principais fatores sistêmicos incluem diabetes mellitus descontrolado, que prejudica a quimiotaxia de neutrófilos; tabagismo, que causa vasoconstrição periférica; obesidade, devido à hipoperfusão do tecido adiposo; e estados de imunossupressão como HIV ou uso crônico de corticoides. Além disso, insuficiência cardíaca e hepática comprometem a entrega de oxigênio e nutrientes essenciais para a cicatrização e resposta imune local.
As feridas são classificadas em quatro categorias: Limpas (sem entrada em tratos colonizados, risco <2%), Limpas-contaminadas (entrada controlada em tratos respiratório, digestório ou geniturinário), Contaminadas (inflamação aguda sem pus ou grande extravasamento de conteúdo oco) e Infectadas/Suja (presença de pus ou perfuração de víscera prévia). Essa classificação ajuda a prever o risco de infecção e a necessidade de antibioticoprofilaxia.
A clorexidina alcoólica é superior ao PVPI (povidona-iodo) na prevenção de ISC devido ao seu efeito residual prolongado e menor inativação por matéria orgânica. O álcool etílico 70% tem ação rápida, mas carece de efeito residual. É fundamental evitar o uso de soluções alcoólicas em mucosas devido ao risco de irritação química e queimaduras, preferindo soluções aquosas nesses locais.
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